Bond

Os ingleses chamam-lhe Bond …  é mais do que um laço, é para sempre.

Bond by riVta

Soneto de Separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Vinicius de Moraes

Sobre Rita Roquette de Vasconcellos

Apertava com molas da roupa, papel grosso ao quadro da bicicleta encarnada. Ouvia-se troc-troc-troc e imaginava-me a guiar uma mobylette a pedais enquanto as molas a passar nos aros não saltassem. Era feliz a subir às árvores, a brincar aos índios e cowboys e a ler os 5 e os 7 da Enid Blyton. Cresci a preferir desenhar a construir palavras porque... escrever é triste.
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10 respostas a Bond

  1. Jorge diz:

    Ler (também) é triste… apesar do belo!

  2. Panurgo diz:

    Não tem nada de belo. Acontece muitas vezes, deve ser tudo falso. Como dizia aquele inglês, mas cantado por uma mulher,

    http://www.youtube.com/watch?v=sHhVydgvuAc

    Ou como naqueles versos do Eugénio,

    Com que palavras
    ou beijos ou lágrimas
    se acordam os mortos sem os ferir,
    sem os trazer a esta espuma negra
    onde corpos e corpos se repetem,
    parcimoniosamente, no meio de sombras?

    Acontece muitas vezes para ser verdadeiro e belo.

  3. Bond, por cá é James:

  4. Bernardo Vaz Pinto diz:

    Bond forever , as separações também podem ser para sempre, ficam as palavras e a música…para sempre?

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