O já era que julgamos ser

 

Não conseguiria viver sem saudades.

Logo eu que continuo a dizer que não há futuro, nem presente, mas apenas um passado que vai crescendo cada vez mais, a cada segundo, a cada minuto, a cada hora. Agora mesmo, este post só vai existindo na medida em que, letra a letra, já é passado.

Mas há uma saudade para que não tenho paciência, quanto mais pachorra. Tirem-me da frente a saudade doente, cheia de cruzes nas costas, que torce a boca porque não consegue rir. Rir do que para trás ficou, rir do que eramos há mais tempo, antes do já era que julgamos ser agora.

A saudade de que eu gosto é boa, muito boa, tem curvas, lindas maminhas e opulento rabo. A boa saudade é a de viver rindo sem medo de chorar.

 

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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6 respostas a O já era que julgamos ser

  1. Boa!

    Cada vez gosto mais dos seus textos e do que escolhe para os acompanhar.

  2. Natália Gonçalo diz:

    Completamente de acordo contigo, Manel!
    Só não podes exigir que a minha saudade boa tenha a ver com lindas maminhas e rabos opulentos…
    Outras coisas, decerto!

  3. Jorge diz:

    Boas saudades/ memórias… Já não me lembrava! Obrigado.

  4. Rita V diz:

    que texto maravilhoso, mesmo com as maminhas ao léu e um rabisosque XL.
    não preciso estar de acordo com a sua ideia de passado. O presente é o desafio maior
    🙂

  5. manuel s. fonseca diz:

    Obrigado pelos comentários… e as coisas que não vos diria se não estivesse de férias… na praia, a trazerem-me camarões grelhados à toalha e a mimarem-me com o fresquíssimo pisco peruano… ó, ó, que antes de se irem os anéis é preciso gastar os dedos.

  6. heloisa diz:

    Também, assim, cercado de gostosuras, não deixas brecha à melancolia, nem à saudades tristes…

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