Os gloriosos malucos dos carrinhos de rolamentos

exhibit 1

Era assim – ver exhibit 1 acima –  um carrinho de rolamentos: uma tábua, dois eixos, quatro rolamentos sacados na oficina mais próxima e uma guia para dirigir o mundo.

As minhas provas oficiais de carrinhos de rolamentos foram prestadas tanto na cidade lá de cima (interrompo e explico: da Eugénio de Castro à Avenida do Brasil, mas sobretudo na Alberto Correia da Churrasqueira), como na cidade cá de baixo, na perigosíssima rampa do Liceu, onde esfolei joelhos. Tanta glória para que tudo acabasse afinal, indesportivamente, com o triunfo do papel couché, quando, de olhos até à miopia, nos passámos a reunir à volta da folheadíssima primeira Playboy americana que nos chegou às mãos e nos fez arder os neurónios. Juro que não era para ler as entrevistas. Deixámos de esfolar os olhos para passarmos a esfolar a alma (acho eu que era a alma).

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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8 respostas a Os gloriosos malucos dos carrinhos de rolamentos

  1. blimunda diz:

    eheheheh, eu era mais da alberto de oliveira abaixo até à avenida da igreja… com os rolamentos cravados aos senhores da bosch… agora, por lá, são mais os carros à séria que enchem as ruas…

  2. Benvinda Neves diz:

    Hehehe …, tive um mais tosco que o da imagem, com uma pega muito menos sofisticada, eram três ou quatro voltas de corda unidas com uns nós.
    A descida junto ao quartel da Amadora era toda nossa. As corridas eram renhidas e a perícia era tanta que até conseguíamos levar pendura.
    Muito joelho, cabeça e braços raspados, escapavam os vestidos que eram escrupulosamente entalados dentro das cuecas, para escapar aos puxões de orelha caso aparecessem em casa rasgados.
    As reparações eram muitas, tendo ficado também uma unha debaixo da pedra que martelou um dos pregos que prendia o assento. Já não me lembro como morreu tamanha paixão, possivelmente com o “falecimento” natural da viatura.

  3. Rita V diz:

    Nunca cheguei a pôr o rabiosque em nenhum. Mas o meu irmão e os amigos divertiam-se à grande e à francesa. Eu sonhava com kart’s até ter andado num. Detestei a ideia de estar a 5cm do chão e não inclinar nas curvas. Ná ná …

  4. manuel s. fonseca diz:

    prometo comentar comentários quando voltar de férias. Obrigado a todos

  5. heloisa diz:

    Antes dos karts, meus manos também cavalgaram esses engenhos, que aqui no Brasil se chamavam rolimã… carrinhos de rolimã. Eu, nunca.

  6. Bernardo Vaz Pinto diz:

    Mas é triste, tanta perícia imaginativa e sofisticação tecnológica, trocadas por uma folhas de papel brilhante….ou visto bem , se calhar compensava, e era menos arriscado….!

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