A great gig in the skies

Raptei este título directamente de The Dark Side of the Moon, um dos álbuns dos Pink Floyd que mais me marcou, talvez porque tenha sido com esse que conheci melhor o grupo – além de que me acompanhou em permanência no ano e meio de vida militar em Angola.
No entanto a apropriação sofreu ligeiros retoques, os assuntos são outros e isso exigiram: em vez do original The great gig in the sky (talvez uma inner truth simbólica desta belíssima música) fica antes um indefinido meetting musical que se passou não no céu, num céu concreto, mas antes em vários céus – porque na verdade existem muitos céus.
Tudo isto para apresentar uma coisa que já está apresentadíssima mas que mesmo assim insisto e voltarei a insistir se tal vier a propósito.
No fundo é apenas uma notícia, uma boa notícia.
Concretamente: de vasto grupo de 15 mil propostas para um festival de curtas-metragens lançado no Youtube por Ridley Scott, de que sobraram umas redondas 50, o filme North Atlantic do português Bernardo Nascimento foi seleccionado com uma das dez obras presentes em concurso no Festival de Veneza, que é já no fim de Agosto.
O vencedor final será dotado de um orçamento de meio milhão de dólares para fazer um filme seu, e contará ainda com a máquina de produção do próprio Scott.

Se  ainda não viram, verifiquem o porquê da selecção.

Para quem não se lembra do original dos Pink Floyd que plagiei, aqui está ele:

Sobre António Eça de Queiroz

Estou em crer que comecei a pensar tarde, lá para os 14 anos, quando levei um tiro exactamente entre os olhos. Sei que iniciei a minha emancipação total já aos 16, depois de ter sido expulso de um colégio Beneditino sob a acusação – correcta – de ser o instigador dum concurso de traques ocorrido no salão de estudo. E assim cheguei à idade adulta, com uma guerra civil no lombo e a certeza de que para um homem se perder não é absolutamente necessário andar encontrado. Tenho um horror visceral às pessoas ditas importantes e uma pena infinita das que se dizem muito sérias. Reajo mal a conselhos – embora ceda a alguns –, tenho o vício dos profetas e sou grande apreciador de lampreia à bordalesa e de boa ficção científica.
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12 respostas a A great gig in the skies

  1. Teresa Font diz:

    Ainda bem que tem esta opinião, com Pink Floyd e tudo, António. Votei sempre no filme e não foi por frete. Frete é um exagero, mas por ser português e ter `ficado nos tais 50, votaria sempre. Vi e gostei muito. Sempre que revejo gosto mais. Nem sei porquê, embora pudesse alinhar uma lista de pontos a favor, mas é mais do que isso. Ou sei, mas não sei explicar com clareza. Agora, a vê-lo aqui com o seu texto e a musica dos PF, acho que gosto porque é bom. Ora ainda bem que sei distinguir! Quer dizer que à conta deste post fiquei toda orgulhosa.
    PS- acho que fiz um comment a elogiar-me, deve ser uma estreia.

  2. António Eça de Queiroz diz:

    Este filme tem mito e mística, que são sempre grandes argumentos.
    Gostava muito que ganhasse o prémio, acho difícil fazer melhor com tão pouco tempo…
    Ainda bem que também gostou (e gosta-se sempre mais, é isso mesmo!)

  3. Rita V diz:

    ainda estou com um nó na garganta

  4. Carlos Gilbert diz:

    Só posso fazer minhas as palavras da Rita: fiquei com um nó na garganta!

    • António Eça de Queiroz diz:

      Rita e Carlos, o que acho notável é como se consegue uma história bem forte, tão bem realizada e produzida numa peça aparentemente tão pequena.
      E digo aparentemente porque dá um pouco a impressão de que o tempo se estende quando a começamos a ver.

  5. manuel s. fonseca diz:

    Na curta há, face à inevitável tragédia, um estoicismo sem alardes que é tocante. Gosto dessa sincera serenidade.

    • António Eça de Queiroz diz:

      Exacto, Manel. Gosto muito do pormenor do piloto quando ele justifica a chamada ‘just to check’, a ver se ainda tinha companhia. Uma ‘jam session’, do camandro…

  6. Teresa Conceição diz:

    Que post tão bonito, António. Que junção tão feliz de filmes
    e músicas e histórias (até a sua Angola aqui entra e só essa frase tem tanto)
    Ainda não tinha tido tempo de ver. Que bom ter tido agora.

    (Take your time é um belo epitáfio)

  7. Minhona diz:

    Belíssimo. Este filme é um poema. Obrigada por existir Kiki, e por esse dom que é a magia de nos oferecer de cada vez, a oportunidade de nos exacerbar as mais diferentes emoções.

  8. Ainda bem que gostou, Min, mas eu só entreguei a carta a Garcia…

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