Coisas que a pessoa pensa (1)

Tenho muito pouca empatia com as obras e os artistas do feio. Entendo a sua existência, até porque a beleza precisa de contraste (embora o mundo em geral seja já contraste suficiente), mas não lhes entendo a raiva. Parecem amargos e chateados com tudo e com todos e por isso querem tornar tudo feio e fazer toda a gente sentir-se mal. Os que conheço pertencem a duas categorias: os porcos sadistas e o invejosos sem talento.

Sobre Pedro Bidarra

As pessoas vêm sempre de algum sítio. Eu vim dos Olivais-Sul, uma experiência arquitecto-sociológica que visava misturar todas as classes sociais para a elevação das mais baixas e que acabou por nos nivelar a todos pelo mais divertido. Venho também da Faculdade de Psicologia da clássica, Universidade Clássica de Lisboa onde li e estudei Psicologia Social e todas as suas mui práticas teorias. Venho do Instituto Gregoriano de Lisboa onde estudei os segredos da mais matemática, e por isso a mais emocional e intangível de todas as artes, a música. E venho sobretudo de casa: de casa das duas pessoas mais decentes que até hoje encontrei; e de casa dos amigos que me ajudaram a ser quem sou. Estes foram os sítios de onde parti. Como diz o poeta (eu): “Para onde vou não sei/ Mas vim aqui parar/ A este triste lugar.”
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6 respostas a Coisas que a pessoa pensa (1)

  1. Manuel S. Fonseca diz:

    Pedro, o horror à beleza é uma doença infantil da esquerda…

    • Pedro Bidarra diz:

      Virou uma doença sim. Que se desenvolve mais à esquerda. Começou na Suíça no Café Voltaire com os Dadaístas. Foram eles os primeiros a politizar a beleza no pós guerra e por reacção aos horrores da guerra. E depois reemergiu de novo com os conceptualistas do Fluxus. O que ambos fizeram foi trazer para a arte um novo objectivo: para além do belo, ou do assombro pode-se também fazer feio. Entendo. Agora negar a beleza, politizá-la de modo a que seja de esquerda ou de direita é que é coisa perversa. Cá, no pequeniníssimo país, sendo os guardadores da cultura, dos seus subsídios e das suas bolsas quase todos de esquerda o feio, o incompreensível imperam.Virou uma doença sim. Que se desenvolve mais à esquerda. Começou na Suíça no Café Voltaire com os Dadaístas. Foram eles os primeiros a politizar a beleza no pós guerra e por reacção aos horrores da guerra. E depois reemergiu de novo com os conceptualistas do Fluxus. O que ambos fizeram foi trazer para a arte um novo objectivo: para além do belo, ou do assombro pode-se também fazer feio. Entendo. Agora negar a beleza, politizá-la de modo a que seja de esquerda ou de direita é que é coisa perversa. Cá, no pequeniníssimo país, sendo os guardadores da cultura, dos seus subsídios e das suas bolsas quase todos de esquerda o feio, o incompreensível imperam.

  2. A beleza é um dado estatístico. O que à maioria belo parecer, belo será.

    • Pedro Bidarra diz:

      Talvez a beleza seja um dado estatístico embora as sensação de beleza, ou as sensações perante a beleza sejam um dado psicofísico. E claro variam com os grupos sociais, as épocas e as educações. Poderíamos falar então de várias estatísticas de beleza.
      Mas, ó Taxi, se a beleza é um dado estatístico também o é a fealdade. O que a maioria acha feio é feio. Do que falo é a opção em fazer feio, a opção consciente, política. É isso que a mim, como produtor e espectador, não me serve.
      Parece que o neo dadaísta Dieter Roth disse uma vez:
      “Detesto quando reparo que gosto de uma coisa. Se faço uma coisa e depois me apetece repeti-la, podendo-se tornar um hábito, então paro imediatamente. O que também acontece se uma coisa ameaça tornar-se bonita”.
      No caso não se trata de encontrar novas formas de procurar o belo, que podem até à maioria parecer feio e, quem sabe, com tempo resplandecer em beleza, mas de procurar o feio como objecto da arte. A “ameaça” da beleza, o “inimigo” beleza: é todo um programa político cultural.

  3. Teresa Conceição diz:

    E depois, Pedro, o Belo na arte permanece. Não é como a beleza breve das gentes.
    O Feio, esquece?

  4. Pedro Bidarra diz:

    Pegando no conceito de beleza estatística dir-se-ia que a procura da beleza, do prazer, assim como a fuga, ao feio, ao nojo (o única coisa que segundo Kant não é possível de embelezar) são coisas que a espécie estatisticamente faz. Até a espécie de esquerda

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