Coisas que a pessoa pensa (8)

Para ser-se  criativo é preciso não ter vergonha nenhuma. O que a mãe, a mulher, a namorada, o amigo e os pares dizem é uma variável que nunca devia entrar na equação criativa. Tenho conhecido muita gente que desperdiça imenso talento em convenções só porque o pensamento que têm não é o pensamento que toda a gente tem.

Para chegar ao lugar comum há imensos atalhos.

Sobre Pedro Bidarra

As pessoas vêm sempre de algum sítio. Eu vim dos Olivais-Sul, uma experiência arquitecto-sociológica que visava misturar todas as classes sociais para a elevação das mais baixas e que acabou por nos nivelar a todos pelo mais divertido. Venho também da Faculdade de Psicologia da clássica, Universidade Clássica de Lisboa onde li e estudei Psicologia Social e todas as suas mui práticas teorias. Venho do Instituto Gregoriano de Lisboa onde estudei os segredos da mais matemática, e por isso a mais emocional e intangível de todas as artes, a música. E venho sobretudo de casa: de casa das duas pessoas mais decentes que até hoje encontrei; e de casa dos amigos que me ajudaram a ser quem sou. Estes foram os sítios de onde parti. Como diz o poeta (eu):
“Para onde vou não sei/ Mas vim aqui parar/ A este triste lugar.”

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11 respostas a Coisas que a pessoa pensa (8)

  1. não ter vergonha nenhuuuuuuuuma não é fácil
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  2. fernando canhão diz:

    Com o devido respeito, pois pela natureza das coisas não lhe conheço a biblioteca, sugiro-lhe a leitura da obra global de Thomas Bernhard, intercalando a coisa com Sopranos 1st Season. Acerca da vergonha mencionada, não compreendo o motivo de tal atitude, eventualmente compreendo o receio de se perder uma fonte remuneratória, mas mesmo isso é tudo muito relativo. Os adultos por motivos que nem me ponho a adivinhar, odeiam-se uns aos outros, mas tendo por vezes um putativo envolvimento, qual criança agarrada a um ursinho ao qual já falta um olho, orelha ou inclusive uma pata, com pessoas animais ou inclusive pequenos objectos de loiça, etc. etc.. Nesse caso e mais uma vez insisto, por motivos que nem me ponho a adivinhar, fazem por essas pessoas animais ou inclusive pequenos objectos de loiça, que geralmente se forem pessoas ou animais não gostam delas, as coisas mais invulgares, nomeando-as para cargos excelentes, dando-lhes moradias com piscina, Audis Cabrio ou Station Wagon, construindo-lhes museus, escaparates ou casinhas de animais, etc. etc. e mais uma vez insisto, por motivos que nem me ponho a adivinhar.

    Em boa hora a justiça cega defendia-nos dessa gente que nos odeia, e mais uma vez insisto, odeiam-nos por motivos que nem me ponho a adivinhar, só que agora a coisa complicou-se, e por isso vendo o que se passa na Síria, em elevadores na zona de Queluz, em ilhas na Noruega, etc. etc. já não se está a salvo, pelo que será escusado ter medo, basta estar atento e ter por perto uma arma legalizada e lubrificada.

    • Pedro Bidarra diz:

      Isto é que foi disparar, caro Canhão. Não sei bem do que está a falar, nem me ponho a imaginar o porquê, mas claramente, com uma prosa destas, é dos que não é atormentado por vergonhas quando escreve o que escreve. É disso, de criatividade e liberdade de dizer e criar, que eu estava a falar como muito bem refere a Astridn aqui em baixo.
      Obrigado pelas sugestões para enriquecer a minha biblioteca. Os sopranos estão vistos quanto ao Thomas vai para a lista das coisas que eu tenho que ler antes de bater a pataleta; pelas minhas contas, e tendo em conta tudo o que tenho ainda de ler, que já foi publicado e mais o que se publicará que valha a pena, o Thomas será lido aí pelos meus noventa. Vou fazer como nos consultórios e ver se o passo à frente, já que foi sugestão do amigo Canhão

  3. Astrid diz:

    Soa-me que a criatividade visada por Pedro Bidarra não será a mesma do comentador anterior. Se percebi a primeira, já a segunda nem por isso ( pela aparente, ou não, dessintonia relativamente ao assunto), mas também estou pronta a dar a mão à palmatória e admitir alguma limitação minha. Se bem que não me dê jeito nenhum…Ai…!

    Rita, por isso mesmo é que os bons criativos são raros. 🙂

  4. As convenções são a “vantagem dos fracos”, serão (infelizmente) necessárias?

    • Pedro Bidarra diz:

      convenções, como as regras, são muito práticas. Há que conhece-las e depois, sempre que possível, e elegante, desafiá-las

  5. Maria diz:

    Remar contra a maré é das coisas mais difíceis e simultâneamente mais belas e compensadoras. “Dos fracos não reza a história”

  6. Pedro Bidarra diz:

    Melhor, e mais eficaz, que remar contra a contra a corrente, é subir a pé pela margem.

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