É meia-noite e a Ilda despede-se

de Ilda David

 Irão talvez a meio as badaladas da meia-noite e vai, lá de cima, sair o retrato em que, a azuis, brancos que não chegam a sê-lo, falsas nuvens e o mais verdadeiro céu, me pintou a Ilda David. Já me disseram que não é o céu, mas sim o cosmos ou as montanhas de uma aldeia aqui tão perto. De bom grado, cosmos ou aldeia, viveria nos dois.

Sou, de tão Triste que me escrevem e de tão luminosa que me pintam, uma mulher feliz. É essa grata felicidade que mando à Ilda, agradecendo-lhe. E agradeço outra vez à Rita e ao meu sobrinho Nuno, a ela a invenção de eu assim ser tantas vezes retratada pelos artistas que convida, a ele os cuidados de me mudar com a elegância de um mestre cerimónias: despe-me e veste-se como quer, é o que é.

[Ouve-se um barulho ao fundo sala]

… Sim, estou a vê-lo e já sei, já sei, menino Manuel, que desta vez também colaborou. Lindo sobrinho.

Sobre Escrever é Triste

O nome, tiraram-mo de Drummond. Acompanho com um improvável bando de Tristes. Conheço-os bem e a eles me confio. Se me disserem, “feche os olhos”, fecharei os olhos. Se me disserem, “despe-te”, dispo-me.
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8 respostas a É meia-noite e a Ilda despede-se

  1. De triste, uma canção alegre:

    • Escrever é Triste diz:

      Espero que o Taxi seja daqueles rapazes altos que dança rock metendo as pernilongas por cima da cabeça. Se for, e também magrinho e com a cabeleira a bater nos ombros, ponha lá os doc martens e bora la´para o rock rendez vous.

      • Muitas noites passei eu no Rock Rendez vous, e nos sábados à tarde, em que tinham concursos de música moderna, mas antes já lá tinha estado, quando aquilo era cinema (de que não me lembro o nome, Universal?), para filmes que careciam de contexto dados em folhetos explicativos. O cinema faliu, quando a música chegou, os vizinhos do bairro do Rego não gostaram da fauna que atraia e importunava o seu descanso – português gosta de sopas e descanso, melhor, gosta que os mercados emprestem patacos para sopas e descanso – e nunca foi pacífica a existência do Rock Rendez vous. E, de facto, ter um metro e noventa tem-me poupado a situações incómodas, nunca fui assaltado, por exemplo, ou foi isso, ou ter seguido a tática de Mao Zedong, se não podes vencê-los, junta-te a eles. Os bons rapazes vão para o céu, mas os maus andam nas ruas despreocupados (até o Isaltino nada teme). boa semana

  2. Tia, adjudico-lhe já o próximo Banner do mês de Setembro. Pode ser? É que escreve ‘tã ben’ …

    • Escrever é Triste diz:

      Ó minha Querida Rita, trabalho? para mim? Eu sou pior do que as dinamarquesas do seu documentário! E tenho, em Setembro, de fazer fériras das férias.
      A sério, mas há alguma coisa que se compare ao que os meus queridos Tristes escrevem sobre os artistas que conhecem…

  3. Manuel S. Fonseca diz:

    Francamente, Querida Escrever, veja se me trata com decência. Para estar com esses teasings todos, vai-se a ver e tem mas é um penchant pour moi…

    • Escrever é Triste diz:

      Está ver, meu petit prince, podia ter-se poupado ao vexame. Então eu ia lá levá-lo para a alcova: ainda partia a bijouteria toda com a tremente bengala.

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