Embirrações

Tenho umas embirrações. O cinema do Tanner é uma delas, o do Wenders outra. Sei que sou injusto. Ainda por cima já filmaram os dois Lisboa e tive até oportunidade de os conhecer, de passagem. O Tanner era um simpático e porreirão, mas vem-me sempre ao de cima a irritação dessa “Cidade Branca” que Lisboa decididamente não é. Já o Wenders compõe aquele ar seráfico-autoral, com artístico toque de todos me devem, ninguém me paga. Tal cara, tais filmes. Embirrações.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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20 respostas a Embirrações

  1. Rita V diz:

    conhecer os ‘autores’ , às vezes é uma boa surpresa, outras vezes não
    😛

  2. fernando canhão diz:

    Nem um nem outro nos levaram a sério. Fomos apenas um excelente cenário e ainda por cima à época barato e confortável.
    Rever “O ultimo a rir” e “Ao correr do tempo” pode e pela naturesa da coisa resolver esse estado de espirito. Qualquer estrangeiro que chegue a Portugal, e sem ser para nos dar dinheiro, deve ser preso na fronteira do Caia, e de imediato devolvido a Badajoz.

    http://www.youtube.com/watch?v=jNlVXDD3cF8

    • manuel s. fonseca diz:

      Vamos já, caro Fernando, organizar um novo serviço de fronteiras! Ou massa à vista ou andor!
      … agora os filmes é que não sei. Um dia destes…

  3. António Eça de Queiroz diz:

    Muito de acordo com o Fernando Canhão (em quase todos os aspectos – não vi os filmes que ele cita…)

  4. Maria João Freitas diz:

    Manuel,
    A sua embirração pelo Wenders nem uma excepção abre para o Paris, Texas?

  5. fernando canhão diz:

  6. manuel s. fonseca diz:

    Bom, Fernando, assim sim, já estamos a conversar…

    • fernando canhão diz:

      E posters de Bettie Page fotografada por Bunny Yeager também lhe arranjo.

      • manuel s. fonseca diz:

        Colecção antiga ou contrafacção chinesa? Olhe que a patine conta muito, caro Fernando.

  7. A mim enerva-me sobremaneira aquela pseudo homenagem necrófaga que o Wenders fez ao Ray. E por cá, não vou citar nomes, mas parece que os “mortos” também rendem…

  8. Natália diz:

    Eu sei que nada sei de Cinema.
    E sei, também, que sou uma admiradora feroz das coreografias magníficas que Pina Bausch nos deixou.
    Quando vi “PINA” queria ficar ali, colada à poltrona, a arrepiar-me, e a desejar que o filme nunca mais acabasse…
    “Pseudo homenagem necrófaga” ou “Os mortos também rendem”?!
    Diz-me tu, Manel, que és mestre na matéria, mas não vou esquecer nunca tantos arrepios…

    • manuel s. fonseca diz:

      Natália, só há uma ciência em ir-se ao cinema, é ter-se arrepios. Quando se têm, digam lá os pseudo-mestres o que disserem, é porque para quem se arrepia é bom… e não tendo visto a Pina, já ouvi dizer muito bem.

  9. Teresa Font diz:

    Mais outra alegria!

    • Teresa Font diz:

      Parece que fiquei a meio, onde será que escrevi o que aqui falatva. Há pessoas que atingem o estatuto de intocaveis-não quie seja o caso destes dois, mas é comparavel-deixando, não a quem não gosta, porque eu posso reconhecer qualidade numa obra e falamos de filmes, mas não ser a minha linguagem, ou não ter correspondido ao que esperava dos autores, enfim, de qualquer modo sei porquê e não me aflige diz~e-lo. outros acho mesmo que não são grande espingarda. Conheço pouco da obra do Tanner e o que conheço não gosto-com o “Jonas…” e com a “A Cidade Branca” embirro mesmo muito. Do Wenders nunca gostei.Nem anjos me convenceram, nem truques e aquele filme dle aptetado duas horas em lisboa não sabemos para nem porquê, sempre com o tal ar de que a culpa ainda por cima é nossa, afastou-me de vez. Foi por isso que não vi Pina, cujo trailer e os excertos me pareceram bonitos. o que me irrita de facto nos filmes de Wenders é que ele ?nunca chega lá’, ficando, nalguns casos, quase na linha de partida. Em Paris -Texas talvez tenha estado perto-o filme tem cenas e alguns diálogos de que nunca me esqueci. Mas mesmo assim.deixou-me esse mal estar do inacabado. No fundo é o que acho d’ACidade Branca, filme e livro. Falta-lhes algumas coisas importantes, mas sobretudo falta-lhes a história. não sei se é a isrto que o Manuel se refere., mas gostava de saber, se a tanto lhe chegar a paciência.
      (e isto deve estar enorme. diz que não há fome que não dê em fartura. bem precisavamos que fosse verdade)

      • Manuel S. Fonseca diz:

        Teresa, isso é que foi vontade. Muito bem dito.
        Falta aos dois muito do que a Teresa referiu. Não é só a história, porque pode filmar-se e bem sem história, umas vezes só com uma certa atmosfera visual, outras só com personagens…
        E além do que falta, há nos piores momentos um jogo à defesa coberto de pretensão.

  10. Carlos Natálio diz:

    Atenção que não estava a falar da digna experiência de cada espectador. Até achei graça ao Pina. Só me enerva algumas intenções artísticas que não estou seguro que sejam tão altruístas como uma homenagem deveria ser.

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