Eros

Nobuyoshi Araki

Sem Eros não há filosofia. É mesmo por aí que a(s) ideologia(s) coxeia(m): falta-lhe(s) a boa perna da sensualidade, a brisa que afaga a pelugem em direcção à fenda.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.

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9 respostas a Eros

  1. Panurgo diz:

    Creio que se pode mesmo escrever «A Ideologia». A ela falta-lhe Deus. Agora, como é que no meio disto aparecem fendas nipónicas é que eu já não sei.

    • Falta-lhe Deus, se Deus for o que estou a pensar:côncavo e convexo. A fenda não está excluída.

      • Panurgo diz:

        Quer dizer. Eu contive-me e nem disse que só dum país com tanto mato é que podiam surgir as espadas dos samurais, e você mete-se para aí blasfemar. Bom, de qualquer das maneiras, você falha no defeito: a ideologia não coxeia. Rasteja. Dionísio, o Areopagita, estabelece uma hierarquia celeste, para que o governo da terra mais não seja do que um espelho da harmonia divina. Ora, quando o homúculo mete na cabeça que é Deus, desata a escarrar ontologias – até creio que esse termo idiota «ideologia» aparece nos escritos dum conselheiro de Filipe, o Belo. Mas posso estar enganado. Não me admirava nada que tivesse sido Marx ou um marxista – nem ele nem os seus filhos saíram da fossa, ao contrário de um outro coxo, Édipo. Estes ainda nem saíram de cima da mãe.

        Enfim, tenhamos esperança que Platão não estivesse enganado, quando meteu na bocarra do Sócrates que Eros era um deus poderoso. É que de facto não há amor maior do que o amor intempestivo, furioso, bruto – ou seja, a Filosofia. Mas parece-me que também ela já está morta. É triste.

  2. sc diz:

    Ideologia – um termo cunhado por Marx – não é filosofia; pode ser mesmo o seu contrário, dado ser o discurso de uma ideia dominante
    Não há filosofia sem Eros? No caso da filosofia de alcova. Mas há outras.

  3. Ah, não, não é preciso alcova nenhuma. Também não há flosofia da natureza sem Eros, mesmo uma cosmologia e buracos negros.

    • Sc diz:

      Mas isso não é novidade desde Platão. Do Symposium.
      Quem quiser ler em verso, pode ler em Camões ( via Plotino). E prontos.

      • Manuel S. Fonseca diz:

        E prontos Sc. Vou ler em verso, em Camões. E posso-lhe pedir que leia, dele, estas Cartas. Parece-me que ia gostar de o ouvir

        • Sc. diz:

          É de gente avisada recomendar a prosa de Camões a quem lhe cita Platão: em Portugal, a ignorância é das poucas coisas que não desiludem e sempre surpreende pela dimensão e recorte.
          Infelizmente, a minha é robusta, chã, compacta e com poucas reentrâncias, e as Cartas de Camões não fazem parte dela.
          Agradeço a notícia da edição e, se estiver em português, porque não comprar?
          Quanto ao papel do amor na poesia de Camões – e na filosofia platónica -, não precisarei de lhe recomendar a obra de Sena, já que é um sénico.

    • fernando canhão diz:

      Hombre, qual silly season? RV com velas e MS com Araki, compro.

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