Filmes contados

era a rua toda em chamas

Quando eu era menino e — liberdades da small town que era a Luanda dos anos 60 — me juntava à noite, na rua, a outros meninos e moços, cada um aos outros contava os filmes que cada um vira e os outros não.
Ali, no meio da rua e sem tela, vi, então, informal e livremente falados, alguns dos melhores filmes da minha vida. Contei um, de um demoníaco e possuído assassino de punhal que só o brilho de uma cruz (ainda ouço os gritos), a faiscar na noite de breu, desfez em enxofre (ainda sinto o cheiro) e fumo.
Era melhor, mais suspense, outra ênfase, alguma invenção quem sabe, quando a ouvir se juntavam ouvidos de meninas.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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10 respostas a Filmes contados

  1. Os filmes de sandália e espada, não perdia um.

    Manel, já publiquei um post com uma explicação sobre o filme de Lelouch, e tem um link com ele próprio a explicar como infringiu as regras de trânsito pelo cinema. Espero que motive para para a bondade do french guy, está logo no início da parte de cinema. Como a parte musical é uigure aqui fica um exemplo

    • Taxi, este blog (tal como o anterior É Tudo Gente Morta) deve uma razoável vénia ao autor do Pratinho de Couratos, esse insólito, raro e exageradamente livre terraço com vista da blogosfera portuguesa. A coisa tem de ser resolvida.

  2. O Táxi é muito mais generoso consigo porque lhe dá música da noiva de Sandokan.

  3. Pura coincidência. Não é nenhuma referência a um tigre de bengala nem sequer a um de papel.

  4. fernando canhão diz:

    Para Don Manuel, uma Lucia de Lammermoor a virgem noiva com faca e nova a estrear.

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