O nosso Tio

A nossa Tia está bem viva e escreve coisas lindas, mas o nosso Tio, Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), que deu o nome a esta casa, faz hoje anos que adormeceu.

Por muito tempo achei que a ausência é falta

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Carlos Drummond de Andrade

Sobre Rita Roquette de Vasconcellos

Apertava com molas da roupa, papel grosso ao quadro da bicicleta encarnada. Ouvia-se troc-troc-troc e imaginava-me a guiar uma mobylette a pedais enquanto as molas a passar nos aros não saltassem. Era feliz a subir às árvores, a brincar aos índios e cowboys e a ler os 5 e os 7 da Enid Blyton. Cresci a preferir desenhar a construir palavras porque... escrever é triste.
Esta entrada foi publicada em Post livre. ligação permanente.

Uma resposta a O nosso Tio

  1. Escrever é Triste diz:

    Ó minha linda Rita, se não é a sobrinha a arranjar-me companhia de vez em quando, passava para aqui os dias em falta pegada, sem o aconchego da ausência deste Tio.

Os comentários estão fechados.