Até 23 e 24

Pela sinestesia de que beneficio, ontem foi laranja, anteontem azul, terça cor-de rosa e segunda cinzenta. Pela mesma razão, hoje é cor de faia, sábado doce e em tom de chocolate, domingo amarelo.

Da faia ao amarelo, o mesmo é dizer de 21 a 23, em São Carlos, quarenta e uma sinfonias de Mozart.

Últimos dias, desta, da faia ao cinzento, em calendário gregoriano, até 24 do mês corrente – configuro, inevitavelmente, manga-de-alpaca afadigado na perfeição da letra no registos – na

na

a peça “Branco ou Um dia Não Teremos História para Contar” com texto magnífico e encenação criativa de Mariana Rosário.

Sobre Maria do Céu Brojo

No tempo das amoras rubras amadurecidas pelo estio, no granito sombreado pelos pinheiros, nuas de flores as giestas, sentada numa penedia, a miúda, em férias, lia. Alegre pelo silêncio e liberdade. No regresso ao abrigo vetusto, tristemente escrevia ou desenhava. Da alma, desbravava as janelas. Algumas faziam-se rogadas ao abrir dos pinchos; essas perseguia. Porque a intrigavam, desistir era verbo que não conjugava. Um toque, outro e muitos no crescer talvez oleassem dobradiças, os pinchos e, mais cedo do que tarde, delas fantasiava as escâncaras onde se debruçaria. Já mulher, das janelas ainda algumas restam com tranca obstinada. E, tristemente, escreve. E desenha e pinta. Nas teclas e nas telas, o óleo do tempo e dos pinceis debita cores improváveis sem que a mulher conjugue o verbo desistir. Respira o colorido das giestas, o aroma dos pinheiros nas letras desenhadas no branco, saboreia amoras colhidas nos silvedos, ilumina-a o brilho da mica encastoada no granito das penedias.
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2 respostas a Até 23 e 24

  1. curioso (matizado) diz:

    tem cura?

    as básicas da bandeira foram-se?

    41 com sinestesia equivale a quantas?

    por citar o gregoriano, 2012 é o ano internacional da energia sustentável para todos (daí a modulação prevista para a TSU, ficando todos mais enTSUados) 😉

  2. Belas sugestões, afinal há um mundo para além da tão “televisionada” crise…

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