Dizer d’amor

A linguagem do amor assenta-me tão mal quanto um casaco largo nos ombros. Conviria adequá-la com habilidades que não tenho e pelas quais não estou disposta a pagar as exigências do preço. O amor demora a morte, por isso lhe supõem propriedades que não possui, para além da de transfigurar e à pedra dar a forma do que os olhos querem e lá não está. Mas mais tender para Hades do que para Afrodite é imprudência em que os mitos aconselham que não se caia. Sou avisada, por isso envolvo em mel, ou ambrosia se valer a pena, meia dúzia de vocábulos esquivos e solto as feras do halali. Mas isso é no tempo da monção e logo passa.

Se sei falar de amor? Sei, se quiser, mas não se prendam.

Sobre Ivone Mendes da Silva

Entre lobos e anjos me habituei a escrever. É talvez por isso que, para além de asas e de uivos, as palavras me tropecem e não encontrem sozinhas o caminho das folhas. Nessas alturas, peço para elas a bênção da tristeza, musa de sopro persistente, que triste me faz e a acolhedoras mesas me senta.
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13 respostas a Dizer d’amor

  1. Manuel S. Fonseca diz:

    Asenta-lhe bem não querer falar de amor e trazê-lo, mítico, como uma estola, sobre os ombros

  2. sid. diz:

    deixe-se disso, esqueça as formulas.
    O melhor é viver sem se preocupar com teorias.
    Viver até que a ultima inspiração lhe revele que afinal sempre amou, até o ultimo suspiro, aquele que lhe dará a força para o ultimo sorriso.
    Viver não é esconder-se da dor
    Viva como se mergulhasse num abismo, sem medo, sem expectativas
    Aprecie as coisas do mundo, saboreie o vento no rosto, revele o azul que une o céu e o mar, sinta a chuva no corpo e abrindo o peito solte um grito dando vivas à vida.
    Você é amor.

  3. vai uma ajudinha? 😉

    LÉXICO – Ordem Breve – p.38

  4. Helena Sacadura Cabral diz:

    “Saber falar de amor” em vivace ou em sotto vivace?!

  5. Pedro Bidarra diz:

    Dele também nunca me ajeitei muito a falar. A coisa sai sempre meio parva. Já da falta dele sim. Isso sim é grande assunto; embora se confunda sempre com dor (com que, convenientemente, rima)

  6. Ivone Costa diz:

    Ora, Pedro, o amor é um luxo de gente despreocupada.

  7. Rita V diz:

    não sei não …acho que mesmo quem não percebe nada de nada ao despir-se de amor sabe falar de amor.

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