Exílio

 

This is a song of despair, she wrote

and began to call all the unfaithful gods.

I want that book, the silver chain around the time,

the ancient poems and the thinnest drops

of the morning rain.

I want the things I left behind,

the gravestone where my name

is carved on.

I want my plaints, my unwearied plaints

boxed up in a hasty night, she wrote.

And I want my words back

because this is a song of despair.

 

Sobre Ivone Mendes da Silva

Entre lobos e anjos me habituei a escrever. É talvez por isso que, para além de asas e de uivos, as palavras me tropecem e não encontrem sozinhas o caminho das folhas. Nessas alturas, peço para elas a bênção da tristeza, musa de sopro persistente, que triste me faz e a acolhedoras mesas me senta.
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16 respostas a Exílio

  1. Paula Santos diz:

    A song of despair…muito bonito….muito bonito 🙂

  2. Rita V diz:

    You want your words back? Thank God they aren’t lost in a box with your unwearied plaints carved under your name, behind the silver drops.
    See?
    Easy to find.
    🙂
    Oh! By the way.Lovely poem.

  3. Fair ” despair” Ivone!

  4. Ivone Costa diz:

    🙂

  5. Helena Sacadura Cabral diz:

    Tu queres a tua vida de volta. Palavras, dores, alegrias, tudo, mas tudo, o que ficou para trás. Não sei, não. Não sei se queria a minha vida de volta…

  6. Manuel S. Fonseca diz:

    She wrote! Drop of morning rain.

  7. Ivone Costa diz:

    Rainy days, dottore.

  8. Ruy Vasconcelos diz:

    penso que quis dizer: “i want my planties”, querida ivone, e não ‘plaints’ em seu belo poema. se for plaint (“suspiro poético”) mesmo, a forma não se usa no plural em prática corrente.

  9. Ivone Costa diz:

    Muito obrigada pelo seu reparo, Ruy, mas quis mesmo dizer o plural de “plaint” (lamento, queixume). Não se usa o plural em prática corrente (nem se arrumam lamentos em caixas), mas não estou aqui no domínio da prática corrente.
    Os lamentos (personificados e, daí, “pluralizados”) são parte do conjunto de objectos/símbolos que o sujeito poético perdeu e, agora, reclama.

  10. Ruy Vasconcelos diz:

    o que aponto é para coisa de outra ordem, ivone: um escritor para quem o inglês é a língua nativa não empregaria o plural: ‘plaints’. e por quê? porque ‘plaints’ é mais ou menos a tradução de um esquema mental em português mediante o qual pluralizamos queixas, lamentos, suspiros, gemidos, ais, etc. ou seja, não é incorreto gramaticalmente. e, no entanto, ninguém se expressa por essa forma pluralizada no inglês…
    se pus mais claro o argumento…
    (talvez entre poetas elizabetanos…com um travo de arcaísmo, bastante precioso…precioso…mas onde, quase sempre, há pouco risco, há pouco pulso, vida. e talvez haja mais convenção… ou quem sabe optem por uma forma ‘ne varietur’)

  11. Ivone Costa diz:

    Claríssimo o argumento, Ruy. Isto de escrever poesia noutras línguas não é outra coisa senão uma inconsciência a que me entrego algumas vezes. Com o riscos que isso comporta, é evidente. Mas sabe-me bem imaginar emoções de Juana la Loca em castelhano, lamentos de Francesca da Rimini em italiano ou meia dúzia de versos em francês. Obviamente, lá surgem coisas destas.
    Mas, Ruy, estes poemas não são escritos para irem a parte alguma. Nem os outros, em português.
    Eu agradeço muito os seus comentários porque me fizeram olhar para o outro lado destes meus divertissements 😉

  12. Ruy Vasconcelos diz:

    há de perdoar-me a impertinência, ivone. é que seus versos em português são leves, macios, propostos numa correção lapidar. na parede onde desenha a “adaga certeira de uma sílaba”. dá vontade de lê-los… 🙂

  13. Ivone Costa diz:

    Não é nada impertinente, Ruy. Nada mesmo. Obrigada. 🙂

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