O contabilista snob

Guardadas as honrosas excepções num cantinho amável, declaro que os economistas em geral não passam de contabilistas snobs – na mais clássica e para mim única acepção do termo: querem à força parecer o que de facto não são.
Querem parecer sábios, mas a única coisa que realmente conhecem é o tilintar dumas moedas no seu sótão.
Resulta de tão esquálida mistura um tipo de megalomania suicidária que, hélas, os trouxe agora ao poder total. Um pouco como aconteceu com Hitler no ocaso de Weimar, ainda que noutro patamar.
Eu sei que não há, mas o Inferno espera-os ansiosamente.

Sobre António Eça de Queiroz

Estou em crer que comecei a pensar tarde, lá para os 14 anos, quando levei um tiro exactamente entre os olhos. Sei que iniciei a minha emancipação total já aos 16, depois de ter sido expulso de um colégio Beneditino sob a acusação – correcta – de ser o instigador dum concurso de traques ocorrido no salão de estudo.
E assim cheguei à idade adulta, com uma guerra civil no lombo e a certeza de que para um homem se perder não é absolutamente necessário andar encontrado.
Tenho um horror visceral às pessoas ditas importantes e uma pena infinita das que se dizem muito sérias. Reajo mal a conselhos – embora ceda a alguns –, tenho o vício dos profetas e sou grande apreciador de lampreia à bordalesa e de boa ficção científica.

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14 respostas a O contabilista snob

  1. fernando canhão diz:

    Caro António, Mario-Henrique Leiria afirmava, e eu concordo, a revolução dos cravos foi travada por uma frase – Fascista escuta, o povo está em luta. Os fascistas(?) perceberam o risco. Organizaram-se e tudo se compôs. Segundo M-H L a frase devia ser – Fascista vem cá que o povo dá-te um Rajá. Os fascistas não são tontos, mas pela boca morre o peixe.

  2. Panurgo diz:

    Respeito por este homem. Conseguiu convencer a Goldman Sachs de que era um homem inteligente e competente. Não é qualquer um que os aldraba. (só sei dum outro caso, mas esse merecia um Homero que o cantasse)

  3. Key words:
    «…invest in getting information…»
    oh!
    «…transparency, morality & decency… »
    ah!

  4. Num mundo onde os “valores económicos ” dominam, o contabilista snob é o príncipe que quer chegar a rei…

    • Eu punha a linha de partida um pouco mais em baixo: é o porqueiro que quer desposar a princesa (veja-se como são compostas as administrações das grandes sociedades de investimento – essas sim, autênticas e perigosíssimas lojas maçónicas, onde muitas vezes os accionistas desconhecem em absoluto o seu objecto e menos ainda quem lá manda…)

  5. Maria do Céu Brojo diz:

    Ao arrepio de Sartre, “o Inferno somos nós”. Os outros? Representações dos fantasmas que carregamos.

  6. Ruy Vasconcelos diz:

    bem lembrado, antónio. raro ver gente coerente, séria a propor algo em economês. lembra uns versinhos:

    in ’29 when the banks went bust,
    our coins still read ‘in god we trust’.

    mas aproveito para me inteirar de coisas mais sérias: o que está havendo com o porto, rapaz? só três jogadores para a seleção nacional? pois o braga cedeu nada menos que seis. não é pouco.

  7. Estou momentaneamente fora do circuito, Ruy, mas acho que o importante vai estar nos que serão titulares no ‘onze’.
    E sim, o economês é o jargão da moderna bandidagem.

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