Sem balas nem laranjas

Com duas palavras Don Pedro passa um império criativo

Estávamos no Inverno de 2007 e eu fora acometido de uma doença crónica que ameaçava por fim ao meu reinado criativo: um tédio incomensurável. Era altura de passar a pasta e ungir o sucessor.

O “Sonny”, que teria sido sempre a minha primeira escolha, já não estava entre nós e por isso não havia outra opção. A escolha recairia sobre o mais novo – havia também um “Fredo” metido na história mas que nunca fora verdadeiramente uma opção.

Tal como Don Vito eu tinha imaginado um futuro que não se realizou. Também os sonhos que tinha escrito, e que pareciam infalíveis no script, não se realizaram. Também por lá havia um Barzini que não fora acautelado. E os sonhos chocaram com sonhos, os meus com os dos outros, e do choque nasceram pesadelos de onde nasceram outros sonhos. Como sempre acontece.

Mas naquela manhã de Inverno tivemos uma conversa na varanda do prédio onde ficavam os escritórios da “família”. Uma conversa que veio a dar origem ao mais mafioso e viral press release alguma vez feito.

 

 

 

Sobre Pedro Bidarra

As pessoas vêm sempre de algum sítio. Eu vim dos Olivais-Sul, uma experiência arquitecto-sociológica que visava misturar todas as classes sociais para a elevação das mais baixas e que acabou por nos nivelar a todos pelo mais divertido. Venho também da Faculdade de Psicologia da clássica, Universidade Clássica de Lisboa onde li e estudei Psicologia Social e todas as suas mui práticas teorias. Venho do Instituto Gregoriano de Lisboa onde estudei os segredos da mais matemática, e por isso a mais emocional e intangível de todas as artes, a música. E venho sobretudo de casa: de casa das duas pessoas mais decentes que até hoje encontrei; e de casa dos amigos que me ajudaram a ser quem sou. Estes foram os sítios de onde parti. Como diz o poeta (eu):
“Para onde vou não sei/ Mas vim aqui parar/ A este triste lugar.”

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17 respostas a Sem balas nem laranjas

  1. Pedro B, mas que bem esgalhado. Cheira-me que deve ter sido uma grande história de terríveis bastidores. E está claríssimo, como se nós, os outros Tristes, não o soubessemos já, que tu és o raio de um belo actor. Saíste-nos um grande Brando.

    • Pedro Bidarra diz:

      Uma perninha à frente das cãmeras, nada mais. Já a estória nos bastidores foi mais shakespeareana. Mas foi divertido e há partes no texto que se tornaram profecias que se auto realizaram.

  2. Diogo Leote diz:

    Don Bidarra: aposto que o Brando saíu do túmulo para aplaudir.

  3. Uma interpretação digna de John Garfield, sim senhor.

    • Pedro Bidarra diz:

      Ora aqui está um grandessíssimo elogio. JG, o pais deles todos. Um dos meus actores favoritos. Tu e o dottore bem lhe podiam dedicar uns posts

  4. não sabia desse passado surfista de don corleone. nem que ele calçava adidas. mas, além do fatalismo, nota-se certo fastio na conversa. talvez por sair da cidade para estar em seu elemento. e deslizar no imponderável swell.

    • Pedro Bidarra diz:

      Ia dizer que o fastio era a mionha maneira de imitar o Vito Corleone do Brando mas na verdade era azia da gastrite que a função me dava.

  5. Rita V diz:

    que divertido … mas o ‘Bad Temper’ vi 3 vezes. 😀

  6. Bela voz…um Brando português com sotaque italiano, muito bom!!!!

  7. Teresa Conceição diz:

    Ganda papelão, Pedro. Todos os momentos de viragem dariam um filme. Mas fazê-lo é um dom. Ou Don.

  8. Panurgo diz:

    Epá… ó Pedro… epá… gola alta?… e esses óculos?… o cabelo?… epá… um mafioso não pode ter esse ar de utilizador macintosh.

    • Pedro Bidarra diz:

      Ó Panurgo! Não gostou do cabelo nem da gola alta? Não lhe conhecia essa sensibilidade para as coisas do guarda roupa e da maquilhagem

      • Panurgo diz:

        Ando de volta do Copleston e do Toynbee, e, pronto, eles são sensíveis a essas coisas… bom, na verdade, ando é a tentar desenrascar uma namorada, e um gajo tem de ser sensível… ou nunca mais mete uma cabeça de égua debaixo dos lençóis…

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