Ten Years After

O mundo anda tão tristonho e deprimido que fui lá acima, ao sótão, buscar a guitarra.

Foram sempre uma segunda escolha, mas eram os maiores dos poetas menores. Os Ten Years After tinham Alvin Lee, o “mais rápido” dos guitarristas de qualquer banda rock. Escuso de lembrar que esmagaram Woodstock com o seu fabuloso e blueish “I’m Going Home”. No meu estreitíssimo e serôdio imaginário, entraram, em 1970, com esta canção. Em casa, na praia, nas esplanadas da Ilha, no Liceu antes dos jogos com a Escola Industrial, no carro do meu pai, onde fosse, os primeiros acordes de “Love Like a Man” vinham-me à cabeça – you rolypoly all over town — punham-me a cabeça em fumo e fogo. When you flash those eyes to me.

 

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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12 respostas a Ten Years After

  1. fernando canhão diz:

    Meu Caro Manuel, Dave Davies dos Kinks, e mais tarde o seu amigo Wim Wenders, foram salvos pelo Rock & Roll. São eles que o dizem. Pela parte que me toca nada de mais verdadeiro. Tenho tentado seguir o que surge, ainda no outro dia recebi o que me faltava dos Black Keys, como late birthday gift. Claro que levei para fora o Exile on Main street dos Rolling Stones e os Van der Graff live at Marquee, mas pelo-me por ouvir a criançada que vai surgindo, e claro John Cale nos seus 70 anos, a cair aos bocados mas perfeito. Acerca do mundo tristonho não se deixe abater. Imagine Portugal como uma versão light da Roménia igualmente serôdia do casal Ceausescu, ponha nomes romenos às figuras públicas, veja de quando em vez o fuzilamento de 25 de Dezembro de 89, e vá ao aniversário da ZdB com o Thurston Moore.

    Claro que isto sou eu a falar, pois o que estou a ouvir é Marc-Antoine Charpentier, Méditations pour le Carême, pelo Ensemble Pierre Robert, perante uma imagem de Cristo morto, chorado por dois anjos de Lubin Baugin. Muitas vezes na minha vida tenho de tomar decisões complicadas, ficando por vezes com má consciência. Depois descobri o segredo dos rapazes da igreja (os da nossa não os de Mafoma), ouvir estas coisas limpam-nos os resquícios da maldade. Mas só depois de as ter efectuado, as maldades, lembrei-me agora. Homem eleve o que você tiver de pior, vai ver que em menos de um susto troca a Stratocaster por uma Les Paul.

  2. blimunda diz:

    sim sim, os ten years after podem salvar um dia. salvaram-me muitos… eles e outros melhores ainda.

  3. Panurgo diz:

    O último momento de religiosidade do Ocidente, o Rock n’ Roll… invejo aqueles que são salvos por ele, sem dúvida.

    Se há coisa que lamento na minha vida foi nunca ter tido o capital necessário para a aquisição desta «babe»:

  4. Manuel S. Fonseca diz:

    Haverá sempre trips, Panurgo…

  5. nanovp diz:

    Grande banda, para além do fulgor “woodstockiano” há um grande tema que lembra os tempos actuais ” I would Love to change the world … But I don’t know what to do….so I am leaving up to YOU!” Belas memórias Manuel…

  6. Panurgo diz:

    Manuel, desculpe-me, mas lembrei-me disto

  7. Manuel S. Fonseca diz:

    Ainda cheirei um ou dois albuns deles, mas depois de 74 houve ali três anitos em que nem gira-discos tinha… Vida nómada, meu caro. Bem lembrado…

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