Um filmezinho

Há um “filmezinho” do river phoenix que me fascina pela simplicidade e sinceridade — é o stand by me. Toda a gente gosta um bocadinho e eu, que gosto que toda a gente goste, acho que ainda se gosta pouco, porque o filme é melhor do que a simpática unanimidade que lhe dedicamos.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.

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21 respostas a Um filmezinho

  1. curioso (guns no more) diz:

    bom dia!
    bom filme?
    uma coisa devia desaparecer de vez das vistas da Gente: uma arma apontada (e nas mãos de uma criança!)
    por muito gostosa que seja a mensagem… que seja embrulhada noutras cenas

    • Sorry, curioso, não podia estar mais em desacordo consigo. Voto absolutamente contra toda a tentativa de obrigar as artes (literatura, teatro, cinema, pintura) a qualquer vocação edificante. Ter um mundo limpo nada tem a ver com ter artes assépticas.

  2. Rita V diz:

    Cherry Flavor Pez, também é o meu

  3. curioso (flavored-conta comigo) diz:

    Flavored, please 😉

    uma aromática passagem:

    Gordie: Fuck writing, I don’t want to be a writer. It’s stupid. It’s a stupid waste of time.
    Chris: That’s your dad talking.
    Gordie: Bullshit.
    Chris: Bull true.
    Chris: I know how your dad feels about you. He doesn’t give a shit about you. Denny was the one. He cared about and don’t try to tell me different. You’re just a kid, Gordie.
    Gordie: Oh, gee! Thanks, Dad.
    Chris: Wish the hell I was your dad. You wouldn’t be goin’ around talkin’ about takin’ these stupid shop courses if I was. It’s like God gave you something, man, all those stories you can make up. And He said, “This is what we got for ya, kid. Try not to lose it.” Kids lose everything unless there’s someone there to look out for them. And if your parents are too fucked up to do it, then maybe I should.

  4. Filme forte, tão forte como o caracter de algumas das personagens ….

  5. Ana Rita Seabra diz:

    Manel, deu-me vontade de ver outra vez!
    Até para matar saudades do River Phoenix…que morreu tão novo

  6. Maria do Céu Brojo diz:

    Nunca vi. Está na altura do remedeio. Lembro River Phoenix no “A Costa do Mosquito” e o tema “River Phoenix” de Milton Nascimento.

  7. Pedro Marta Santos diz:

    Filmão, é o que é.

    • Manuel S. Fonseca diz:

      Tens razão, Pedro, mas eu gosto dele assim, delicado e mignon. O Sena tinha uma categoria que era a dos muito bons poemas de poetas menores. Aplica-se como uma luva.

  8. curioso (démodé) diz:

    são ‘pontos de vista’ 🙁

    eu não sou artista, gosto do que é belo e o que tem beleza tem muita força sem recorrer à violência

    viva o álcool, a droga, o crime, a delinquência?

    continua a haver classificação para espectáculos?

    a arte envolve negócios?

    “Arte geralmente é entendida como a atividade humana ligada a manifestações de ordem estética ou comunicativa, realizada a partir da percepção, das emoções e das ideias, com o objetivo de estimular essas instâncias da consciência e dando um significado único e diferente para cada obra. A arte se vale para isso de uma grande variedade de meios e materiais, como a pintura, a escrita, a música, a dança, a fotografia, a escultura e assim por diante.”

    • Manuel S. Fonseca diz:

      Não, Curioso, não são “pontos de vista”. São formas de vida. E a única forma de garantir a liberdade artística. Um tiro nos cornos num filme não é um tiro nos cornos na vida, mas precisamos de os ter nos filmes para (também) percebermos os que podemos levar na vida. O Marquês de Sade, com violência iconoclasta, com o apelo à violação, com a quase apologia do sexo a descambar em crime, com o seu gosto excrementício, é belo, ao contrário da citação (aliás bastante sonsa e insossa) que o Curioso foi buscar. (Se as artes são o que ali se diz prefiro comer um pacote de maionese ao pequeno almoço).

      Curiosamente o que está démodé, já agora, não é a sua posição, mas a minha. As diversas sacristias do politicamente correcto têm vindo a desvitalizar tudo o que eram as mais “sagradas” concepções da arte. E “sagradas” porque nelas o humano corria o risco de, por um caminho luminoso e do Bem (fra Angelico, por exemplo), ou por um caminho nocturno e do Mal (Caravaggio, por exemplo), tentar chegar aos deuses, ao mais arrebatado extase, Há na verdeira arte uma procura orgástica que não é nada bem comportada e que tem pouco a ver com o celofane do video clip.

  9. Uau. Assino por baixo.

  10. curioso (amanteigado) diz:

    pois é mas as questões que ali deixei são da vida real e não foram respondidas.

    quem vive da arte defende-a, custe o que custar à sociedade que a sustenta.

    a violência mexe seriamente com a nossa civilização e o tiro nos cornos do cinema serve de inspiração a muitos tiros na vida real, até em colégios e universidades.

    pode-se conduzir com muito génio e criatividade mas quando é nas nossas estradas convém que se cumpram as regras de trânsito.

    o efeito orgástico da arte, conseguido também com a erótica e a pornográfica, equivale talvez ao pacote de maionese em alternativa à habitual manteiga barrada no pão? também é uma arte evitar os excessos e olhar pela saúde, ou talvez não?

  11. Curioso, é que nem que me passe a manteiga! A arte é vida real! Faz parte dela, como o tijolo ou a viga de ferro ou a madeira do caixilho da janela são a casa. A arte é vida real. Um abstractíssimo Pollock é vida real. Os tiros também, os enrabanços, as declarações de amor também. Toda essa linda panóplia é a vida real. Não é por causa da arte que há tiros, nem é arte que deve ou pode evitá-los. Mas acredito que. com alguma sorte, depois de ler a Ilíada (que está felizmente cheia de sangue, vinganças e uma bela de uma traição sexual) um tipo seja menos besta. Um dia, volto ao tema…
    Em todo o caso, deixe-me que lhe diga que não é com videozinhos mariconços a dar pastilhas de bons conselhos que o Curioso regula, equilibra ou lá o que seja, um mundo que, como hoje vemos mais uma vez, com a globalização, tem uma cadeia alimentar humana em que só não nos comemos quando não podemos.

  12. Curioso (flaviense) diz:

    Não adianta agarrar a Ilíada só quando jeito. A arte tem o seu tempo. Nero foi orgástico à sua época e hoje não queremos touradas. Se precisar, pode ser encontrada via alternativa aos tais vídeos…

  13. Wrong, Curioso. Wrong não, disparate, desculpe lá. A arte não tem o “seu” tempo. Sabemos, mais ou menos, quando a Ilíada foi escrita, mas a Ilíada é emocionalmente deste tempo, de hoje. Entra nos filmes de hoje, atravessa poetas e poesia, passa fulgurante pela melhor literatura, pintou frescos e telas da Renascença até hoje. E Nero devia, perdoe-me que lhe diga, pensar das artes qualquer coisa funcional parecida com a sua visão moralizante, mesmo que a dele fosse (des)moralizante, o que vai dar ao mesmo.
    Em suma, e não voltarei ao assunto, a arte, como os melhores com quem tentei aprender dizem, não é uma amena graxa preta ou castanha para dar brilho a sapatos. I rest my case. Enjoy, man!

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