Ateu graças a Deus

Obriguei-me a ler até ao fim “The God Delusion” de Richard Dawkins. Cada um usa os cilícios que merece. Uma divina merda.  Uma pobreza franciscana. Não há nada mais irritante do que o ateísmo missionário. Não há nada mais irritante do que o ateísmo de bandeira. Não há nada mais irritante do que o ateísmo transformado num novo tipo de confissão com paramentos científicos.

Fiquei a perguntar-me se tamanha trampa intelectual não será uma armadilha para converter ateus impenitentes como eu.

Sobre Pedro Norton

Já vos confessei em tempos que tive a mais feliz de todas as infâncias. E se me disserem que isso não tem nada a ver com tristeza eu digo-vos que estão muito, mas muito, enganados. Sou forrado a nostalgia. Com umas camadas de mau feitio e uma queda para a neurose, concedo. Gosto de mortos, de saudades, de músicas que nunca foram gravadas, de livros desaparecidos e de filmes que poderiam ter sido. E de um bom silêncio de pai para filho. Não me chamem é simpático. Afino.
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8 respostas a Ateu graças a Deus

  1. Ivone Costa diz:

    Sendo para ler, de seguida, dois posts de Vossa Eminência, já valeu a pena … 🙂

  2. rita vaz pinto diz:

    Meu querido Ateu! Nunca foste de cair em armadilhas.
    É bom voltar a ler-te.

  3. iroso diz:

    @curioso (a teu, a meu, a nosso) diz:
    O seu comentário aguarda moderação.

    Outubro 31, 2012 ás 13:04
    a teu, a meu, a nosso gosto: pela nossa Natureza

  4. Pedro, sem partilhar a tua fúria, concordo que os argumentos do “God’s Delusion” são na sua maioria pobres e, ironicamente, de um proselitismo assoberbado que não lembra ao diabo. É preferível ler “O Fim da Fé” do Sam Harris, muito mais sólido. Abraço

  5. airoso (tolerante) diz:

    sólido sólido: tolerante!

  6. Pedro, o homem é um fideísta…

  7. Maria do Céu Brojo diz:

    Não li. Fica no rol das urgências em leituras. Sempre quero ver o que dele retirarei.

  8. fernando canhão diz:

    Luis Buñuel, no seu “último suspiro” revela ao leitor, que ao sentir a morte a aproximar-se, passou a ter na cabeceira da cama um revolver de calibre decente, para mesmo entubado se defender da extrema-unção, que certamente lhe seria aplicada, por um eclesiástico introduzido no quarto por Jeanne Rucar, esposa amantíssima, a quem ele tinha privado o uso de um piano, por não a considerar boa intérprete.
    Não o conhecendo, parto do principio que será um cavalheiro de coração de oiro, qual o famoso Joselito, o tal do coração de oiro, mas por vezes actos bem intencionados acabam e por sabe-se lá porquê serem mal interpretados, criando-nos os piores inimigos. Como a vida passa a correr, a aquisição duma Uzi no e-bay, que pelas suas dimensões cabe em qualquer mesa de cabeceira, poderá impedir uma indesejada subida ao céu. Claro que com o abatido padre, podem ficar gravemente feridos vários familiares e putativos amigos que por lá estejam, mas danos colaterais é coisa corrente nos nossos dias.

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