Filmes para toda a Vida: Broken Blossoms (1919)

Este é o segundo dos mil filmes a que chamo Filmes para toda a Vida

Broken Blossoms / Lírio Quebrado (1919)
de D.W.Griffith

happy ou unhappy

Um século depois, é tão urgente ver este “Lírio Quebrado” como conhecer Rembrandt. A luz de um é a luz do outro. Se a luz é de Rembrandt, o unhappy end é invenção de Griffith. Bastaria o feliz “fim infeliz” para que “Lírio Quebrado” ficasse na História.

dois dedos de Gish

Numa Londres dickensiana, um chinês apaixona-se por uma castigada menina inglesa que só sorri se, com dois dedos, esticar os finos lábios. Amor impossível, de sofrimento e punição física, que era como Griffith contava histórias de amor. Duas linhas paralelas que o espectador anseia ver cruzarem-se, actores, travellings e, outra invenção, a montagem, contam “Lírio Quebrado” como nem pintura, teatro, literatura conseguiriam.

No fim, o chinês carrega a menina europeia morta: nascia o cinema que contando o século XX, adivinhava o XXI.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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8 respostas a Filmes para toda a Vida: Broken Blossoms (1919)

  1. nanovp diz:

    A Europa morta , carregada por uma metáfora asiática? Será o futuro mais incrível que a ficção? Provavelmente, e de certeza que tão duro como o amor retratado…

    • Pedro Bidarra diz:

      E o que é mais incrivel, caro Nanovp, é que o chinês, era na verdade um ocidental caracterizado de chinês (Richard Barthelmess). E o que acontece é que a europa vai mascarar-se de chinês. Nós e os gregos somos as cobaias.

      • Manuel S. Fonseca diz:

        Uma vantagem, Pedro, as máscaras podem comprar-se em qualquer loja dos 300. Baratinhas…

  2. Bernardo, o futuro é uma ficção

  3. Panurgo diz:

    Ainda não vi. Está há meses na lista de downloads, mas não avança. Nada há que recear, pelo que leio, no filme não há nenhum senhor narigudo, sacerdote de um tal Inominável (ou Mercado, como se diz agora). Pode ser que cheguemos a ser China – até lá continuemos a ser esta baixa americana, carregada de putas e agarrados – Diversidade, pois então.

    • Manuel S. Fonseca diz:

      Panurgo, não há narigudo, mas há um pai boxeur, castigador. A ter em conta que vem para aí muita pancada…

  4. Maria do Céu Brojo diz:

    Quando for crescida gostaria de arrecadar bagagem cinéfila miniatura da do Manuel.

  5. o que é o contrário de miniatura?

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