Filmes para toda a Vida: Some Like it Hot

Este é o 6º e vai de comboio.

Some like it Hot / Quanto Mais Quente Melhor (1959)

 

Sem Marilyn faltaria à história do cinema a lábil curva onde o nosso olhar derrapa e feliz se esconde. Ninguém a filmou melhor do que a inteligência cínica de Billy Wilder. Podia escolher-se o colorido escândalo de “O Pecado Mora ao Lado”, mas fazê-la contracenar a preto e branco, em “Quanto Mais Quente Melhor”, com dois homens que fingem ser mulheres, permitiu a Wilder a mais retorcida ambiguidade.

Marilyn foi a jogo: ingenuidade ilimitada, lábios impronunciáveis, sussurrada voz. Às amigas, que por acaso são Tony Curtis e Jack Lemmon, Marilyn oferece a exuberância de um corpo, os irreprimíveis seios, ancas inclinadas a confidências. Esta é a fabulosa comédia que nos faz venerar a carne redentora de uma mulher, a celebratória Marilyn que parece dizer “tomai e comei todos”.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.

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7 respostas a Filmes para toda a Vida: Some Like it Hot

  1. Panurgo diz:

    Não tinha ideia de que o Manuel tinha contracenado com a Marilyn… «relaaaaax»… sim senhor.

  2. curioso (le boucher) diz:

    vene­rar a carne reden­tora pode (ainda) levar a ven éreas vir tudes 😉

    de preferência mal passada/saignante

    http://www.sightswithin.com/Francois.Boucher/The_Education_of_Cupid.jpg

  3. curioso (bene dict) diz:

    depois desta ode à carne, porque a austera maré acorda os distraídos, voltemos ao ovo, holy vudesca versão, a merecer entrada da generosa crítica desta triste ter túlia 😉

    http://screen.yahoo.com/easy-eggs-benedict-30920094.html

  4. Curioso, pode dizer-se que o seu comentário vem como ovo a cavalo.

  5. curioso (egg-o-sem tricks) diz:

    acaba triste e inglório, cavalo não grama ovo e já era má opção dar-lhes pão-de-ló 🙁

    deixemos passar o temporal…

  6. Maria do Céu Brojo diz:

    Bendita Marilyn que a gerações, fração masculina em maioria, seduz! E se nós, algumas mulheres, a reverenciamos também é por beneficiarmos do mito erótico que constitui nas louváveis inquietações da parte XY da humanidade.

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