Filmes para toda a Vida: The Cheat

Os editores do cinema do “Expresso” desafiaram-me a participar nos “50 Filmes que toda a gente deve ver“, o que aceitei com muito gosto
Roubo-lhes agora a ideia, criando aqui uma série a que chamarei “Filmes para toda a Vida“. Para além de publicar os 8 textos que lá escrevi, vou recuperar duas anteriores aventuras similares:

uma selecção de 53 filmes a que, na SIC, em 1999, e para comemorar o fim do século XX, chamei “Os Filmes do Século“. Fi-la, se bem me lembro, em colaboração com o Manuel Cintra Ferreira e o José Navarro de Andrade;
a outra, por ocasião da Lisboa, Capital da Cultura, a convite do João Bénard da Costa, em que, escolhi os meus 100 filmes europeus favoritos, lista que veio alfabeticamente publicada no livro “100 dias 100 Filmes“, a seguir à do francês Bernard Eisenchitz e antes da do catalão Ramon Font.

Comecemos.

The Cheat / A Marca de Fogo (1915)
de Cecil B. De Mille

Há um século, fingindo falar de amor, este filme falava sobretudo do dinheiro e do poder dele. Um corretor da bolsa obcecado pelo sucesso, a sua mulher (Fanny Ward) fascinada por estatuto e consumo, um possessivo investidor japonês (Sessue Hayakawa), que a censura fez birmanês, dão corpo a um triângulo de silêncio, sexo e sombras. E The Cheat mostrava, em contraluz, o fio de sangue que opõe Oriente a Ocidente.

Surpresa no tema, surpresa na narrativa e nos inovadores recursos estilísticos. O cinema descobria que o espaço físico não tinha de ser linear (abençoada montagem!) e que, com uma luz tão negra que só Caravaggio, podia criar a volúpia dum “espaço psicológico” desenhado a fontes de luz impecavelmente justificadas no plano. Ao génio de De Mille devemos o hino órfico à escuridão que é a sequência inicial.

Sobre Manuel S. Fonseca

O meu maior medo é que a morte seja tudo às escuras sem se poder ler. Pouco interessa deixar de ser humano, desde que não deixe de ser leitor. Ler é do mais feliz que tenho. Até porque escrever é triste.
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5 respostas a Filmes para toda a Vida: The Cheat

  1. curioso (sobrescrito) diz:

    melhorou… mas não completamente 🙁

  2. curioso (depoi do teste) diz:

    deixaram-me só… era um teste?

  3. Maria do Céu Brojo diz:

    Ora bem! A ideia é do meu agrado. Melhor: tenho assunto que delineei enquanto a leitura progredia.

  4. Rita V diz:

    Se começa assim como será que acaba?

  5. nanovp diz:

    Que força na imagem e montagem, mesmo sem “banda sonora”…não vi mas espero ainda ver…principalmente para não me sentir fora desta lista.

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