Marceneiro da alma

A Yvette Centeno diz que os poemas de Henrique Augusto Chaudon são para reler devagar depois de os ter lido. Eu também acho.

de partida by riVta

Tempo de Partida

de Henrique Augusto Chaudon

Esparsos pelo vento
os dias, horas, pensamentos.
É tempo, eu sei, há muito, de partida.
Ir pelos jardins de sol e chuva
em procura paciente, silenciosa busca
entre musgo e saibro, espinho e flor.

Pois quem sabe o pó da estrada
nas sandálias gastas e feridas
não pede ao pão mais do que trigo
nem à paisagem alheia senão paz.

Porque é tempo, há muito, de partida
e nas pousadas dormem insensatos homens,
irei só, e já.
O vento que passou levando a vida,
a vida deixa esparsa no caminho.
Por isso eu vou.

E porque é tempo, há muito, de partida.

Sobre Rita Roquette de Vasconcellos

Apertava com molas da roupa, papel grosso ao quadro da bicicleta encarnada. Ouvia-se troc-troc-troc e imaginava-me a guiar uma mobylette a pedais enquanto as molas a passar nos aros não saltassem.
Era feliz a subir às árvores, a brincar aos índios e cowboys e a ler os 5 e os 7 da Enid Blyton.
Cresci a preferir desenhar a construir palavras porque… escrever é triste.

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12 respostas a Marceneiro da alma

  1. Depois de ler não consigo ser Triste, apenas muito Feliz!

  2. Prezada Rita:
    Fico feliz por V. ter apreciado meu poema, e por divulgá-lo!
    Nossa amiga Yvette me tem estimulado muito, e tem feito um gentil trabalho de divulgação.
    Grato a Vcs.
    Henrique.

  3. Partidas de comboio:

  4. Maria do Céu Brojo diz:

    E eu consigo e com a Yvette Centeno.

  5. nanovp diz:

    Levei tempo a ler…por não o conhecer ou por concordar que a melhor forma de conhecer é reler…

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