Para lá do século e meio

Honro a lembrança do “161º aniversário de Moby Dick escrito por Herman Melville”. Devo ao Google, esse grande benfeitor se criteriosamente utilizado, ter dado conta da efeméride. Livro e filme que não perdi. Encheram-me o imaginário aventureiro na infância e adolescência, a par de outros tão emblemáticos como eles.

Retrato e caricatura de Herman Melville por autor desconhecido

Em casa, existiam duas edições: a maçuda que não me atemorizou e a ilustrada por Mead Shaeffer nos anos vinte que em hora feliz o ‘trisavô da américa’ adquiriu. Mais do que muitas as vezes em que foi retirada do ledo repouso na biblioteca onde viria a acumular, depois, o pó dos anos. A geração seguinte viria a espanejá-lo pelo uso dado, conquanto menos respeitoso como era carimbo de antanho. Sobreviveu.

Moby Dick ilustrado por Mead Schaeffer

Por trocas sabidonas e compras nos alfarrabistas reuni outras edições ilustradas como soíam os tempos.

Correndo o dezoito de Outubro do ano (mal)fadado de 2012, preservo o culto das edições. A busca desta tem sido árdua. Talvez hoje, porque não?

Sobre Maria do Céu Brojo

No tempo das amoras rubras amadurecidas pelo estio, no granito sombreado pelos pinheiros, nuas de flores as giestas, sentada numa penedia, a miúda, em férias, lia. Alegre pelo silêncio e liberdade.
No regresso ao abrigo vetusto, tristemente escrevia ou desenhava. Da alma, desbravava as janelas. Algumas faziam-se rogadas ao abrir dos pinchos; essas perseguia. Porque a intrigavam, desistir era verbo que não conjugava. Um toque, outro e muitos no crescer talvez oleassem dobradiças, os pinchos e, mais cedo do que tarde, delas fantasiava as escâncaras onde se debruçaria.
Já mulher, das janelas ainda algumas restam com tranca obstinada. E, tristemente, escreve. E desenha e pinta. Nas teclas e nas telas, o óleo do tempo e dos pinceis debita cores improváveis sem que a mulher conjugue o verbo desistir. Respira o colorido das giestas, o aroma dos pinheiros nas letras desenhadas no branco, saboreia amoras colhidas nos silvedos, ilumina-a o brilho da mica encastoada no granito das penedias.

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6 respostas a Para lá do século e meio

  1. Uhm! Eu acho que a Mª do Céu está mas é a celebrar o processo ganho pelo Louboutin ao YSL. A Baleia deve ser uma metáfora ou serão os sapatos? Baleia branca sapato amarelo às cores?
    ah ah ah

    • Maria do Céu Brojo diz:

      Ri com o seu comentário. Grata pelo momento.

      Na contenda já enterrada entre Louboutin e YSL não interfiro – nenhum encarnado tem dono ainda que anime a sola de sapatos. Estes que persigo não são amarelos, mas pardos com acrescentos brancos e verde marítimo (lá volta a Moby Dick!).

      Depois, estimada Rita, pelas cerejas que são ideias e palavras, pelo espírito colecionador do que a subjetividade afirma belo ou excêntrico, pela chuva que a terra bebe sequiosa, pela que sobra nas ruas, há lá melhor do que sapatos com nadadeiras incluídas?

  2. Curioso (baleeiro) diz:

    Modelo balei-a, obvi-a, mente

    • Maria do Céu Brojo diz:

      E não é que me agrada caminhar com estes Moby Dick nos pés? Até vêm providos com nadadeiras protetoras caso a chuva desabada inunde as calçadas…

  3. curioso (navigator) diz:

    nos pés? à prova d’água há coisa mais fixe

    http://www.tredders.com/shop/Le_Chameau_Kotkor_Gaiters

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