A Loira Desposada do Sol: Fortaleza

Vista da orla de Fortaleza a partir da Enseada do Mucuripe. Orson Welles esteve filmando nessa região (It’s All True, 1942). A área, então, não passava de uma pequena aldeia de pescadores e algumas praias desertas, e distava quilômetros da cidade propriamente dita, que começou de costas para o mar. Acredite, não havia um único desses edifícios presentes na foto em 1942, até onde a vista alcança. Os fortalezenses costumam dizer que da paisagem vista por Welles sobrou o mar. Ou os “verdes mares bravios”, de que fala Alencar em sua obra que traça uma  espécie de gênese mitológica do Ceará: Iracema (1865).

Pôr do sol na Enseada do Mucuripe, próximo ao porto da cidade. [Uma das mais emblemáticas canções sobre Fortaleza diz assim: “As velas do Mucuripe/ Vão sair para pescar/ Vou levar as minhas mágoas/ Pr’as águas fundas do mar (….)” (ouça, ao final do post. E, lembrar, entre as muitas versões, há uma com Elis Regina, que, apesar de gaúcha, considerava-se uma cearense honorária. Aliás, Maria Rita, filha de Elis, esteve aqui há algumas semanas. E emocionou o público local com uma rendição de “Mucuripe” quase tão boa quanto a da mãe. E que mãe, não?].

A Praia de Iracema, ex-distrito boêmio, hoje um próspero bairro residencial, visto do Espigão do Ideal, na Aldeota (um dos quatro molhes que avançam sobre mar como mirantes da cidade).

A Ponte dos Ingleses à noite. (Ou seja, o molhe por excelência da Praia de Iracema).

passeio público2

O Passeio Público (inaugurado em 1820, reformado e ampliado no final do sec. XIX), no Centro da cidade, com o característico Baobá – o único que lembro de haver visto em Fortaleza – ao pé do qual foram fuzilados pelo exército imperial os insurrectos da Confederação do Equador, em 1825, que queriam transformar o Nordeste numa república secessionista (quatro décadas depois, algo semelhante se deu naquele país que nos copia, os Estados Unidos).

A Sé de Fortaleza (ou Catedral Metropolitana), no Centro. Foi construída sobre a ruína de uma antiga catedral de estilo colonial que havia sido demolida por falhas estruturais, em 1938. Sua reinauguração se deu em 1978, reerguida em estilo neo-gótico.

O Seminário da Prainha. Daqui saíram três cardeais – inclusive um Primaz do Brasil, D. Eugênio Sales (1920-2012), Arcebispo do Rio de Janeiro – e trinta e cinco arcebispos, como D. Hélder Câmara, além de vários bispos e sacerdotes de destaque na história do país e do Ceará, caso do célebre Pe. Cícero Romão Batista. Foi a primeira escola superior da cidade (1864). [E, a meu ver, é  no presente um dos poucos trechos onde Fortaleza ainda lembra expressamente algo português].

A Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, que deu o nome à cidade. As densas árvores, ao centro-direita ficam no Passeio Público, e o grande prédio ocre, contíguo ao Passeio, ainda mais à direita, a Santa Casa de Misericórdia (Hospital). Dominando a Fortaleza, há o Quartel da 10ª Região Militar.

Uma aluna da Universidade de Fortaleza segura um filhote de gato. Há muitos gatos perambulando pelos amplos jardins e bosques do campus, que é um dos mais belos do Brasil. E há uma tradição de os pequenos gatos serem adoptados por calouros.

Uma ema – espécime sul-americana um pouco menor que a avestruz – passeia pelos jardins da Universidade de Fortaleza, enquanto estudantes conversam ao fundo.

A alunada diverte-se no Centro de Convivência da Universidade de Fortaleza, uma das três universidades locais. Mais outras duas virão na próxima década. Há, por igual, um considerável grupo de institutos e faculdades isoladas. Existe também um expressivo contingente de estudantes africanos de língua portuguesa em todas as três, assim como na Unilab, uma universidade criada exclusivamente para esse intercâmbio e que dista 70km de Fortaleza para o sul, na cidade de Redenção.

Vista Aérea da Praça Central da Universidade de Fortaleza, com a Biblioteca Central à esquerda e o Centro de Convivência ao alto. As Engenharias estão à direita, no fora de campo, e as Humanidades à esquerda e acima do Centro de Convivência – pode-se distinguir apenas os tetos entre os bosques. [Foi onde também ministrei aulas durante alguns anos].

A Reitoria da Universidade Federal do Ceará, a mais antiga, tradicional e disputada das três universidades de Fortaleza. O prédio era o antigo solar da família Gentil, no tradicional bairro do Benfica.

Restaurantes no entorno do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura no começo da noite. Isto fica apinhado ‘round midnight e com bastante música ao vivo, e para todos os gostos.

Uma das entradas para o Centro Dragão do Mar, cujo entorno concentra bares, cinemas, restaurantes, galerias de arte, dois teatros e as danceterias mais pulsantes da pulsante noite fortalezense.

O Terraço, que dá acesso a um dos auditórios, ao anfiteatro, ao planetário, ao café e, por uma longa  passarela, debruçada sobre o casario antigo, à livraria e ao museu, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.

Desfile de Moda no Centro de Eventos. Fortaleza é um dos principais polos da moda e da indústria de confecção na América do Sul, e possui o segundo maior pavilhão de exposições do continente.

Fachada Sul do Iguatemi, com o Parque do Cocó (não é gralha) imediatamente por detrás, com seus densos manguezais, e os Bairros de Varjota e Dunas ao fundo.

Detalhe do Shopping Iguatemi, o principal centro comercial de Fortaleza, na fronteira dos Bairros de Salinas e Guararapes.

O interior do Theatro José de Alencar, no Centro da cidade de Fortaleza. É sua mais nobre sala de espetáculos.

A fachada interna do Theatro José de Alencar (1910), com seu peculiar conceito de teatro-jardim, projetado para os trópicos em ferro pré-moldado, mandado vir da Escócia. É um dos mais belos e originais teatros das Américas. A esta fachada, precede-a uma outra, em alvenaria (onde se localiza o foyer), que dá para praça do mesmo nome. Entre ambas há um charmoso pátio – guardado por passarelas e decorado com luminárias de época, estilo art nouveau – que se abre, à esquerda, para um amplo jardim lateral.

O epicentro histórico e simbólico da cidade: a Praça do Ferreira, no Centro. A área central (que os fortalezenses chamam carinhosa e galhofeiramente de Centrão) está a ser revitalizada, pois se encontra um tanto combalida, pela migração do comércio para os modernos shopping-centers de estilo mall, surgidos em especial no leste da cidade. Espera-se recapacitar o “Centrão” gradativamente nos próximos anos.

O Mercado Central, paraíso para a compra do rico artesanato local, que vai das rendas de bilro e bordados mais elaborados do Brasil a artigos em couro, argila, arame, fibra de tucum, de buriti, areia colorida, etc.  Além de doces, compotas e confeitos típicos, variedades de castanha de caju, o queijo coalho sertanejo e a famosa manteiga-da-terra (semi-liquefeita), assim como uma bebida (não alcoólica) muito própria: a cajuína.

O Kitesurf – assim como o Windsurf – é bastante praticado no Cumbuco (foto) ou no Lagamar do Cauípe, nas praias a Oeste, já no município de Caucaia (Zona Metropolitana).

No Porto das Dunas, próximo a um gigantesco parque aquático (Beach Park), a burguesia Fortalezense tem investido em casas de veraneio e condomínios de luxo, já no município de Aquiraz (Zona Metropolitana), no extremo oposto a Caucaia.

Um detalhe da Praia do Futuro, o balneário por excelência de Fortaleza. Há tantos dias de sol, que o fortalezense cunhou a expressão “bonito de chuva”, porque a chuva é a exceção extrema, o momento de sentir-se aconchegado, dentro de casa, que atavicamente buscamos. Nós, sem inverno, longe dos climas da Europa. Mas porque também a chuva minora problemas de estiagens sazonais no interior do estado. E há esse momento, aí pela década de 30, em que após muitos dias chuvosos (ou “bonitos”), o sol abriu por um instante, sobre a Praça do Ferreira: foi imediata e unanimemente vaiado por todos que ali se encontravam. O episódio passou para as crônicas como “a vaia do sol”. Quem não acaba esbanjando o que tem em demasia?

Vista panorâmica da Praia do Futuro, oito quilômetros de uma das melhores estruturas de serviços em uma praia urbana no país. E, a depender da época, com ondas altamente surfáveis um pouco mais ao largo. A praia constitui uma espécie de oásis em Fortaleza, porque o alto grau de salinidade (que só perde para o Mar Morto), espantou a especulação imobiliária e impediu o soerguimento de um paredão de arranha-céus em sua orla.

O Bar e Restaurante Estoril, Praia de Iracema, célebre reduto da boemia nos anos 70 e 80, o folclore é o de a cidade promover a segunda-feira mais animada do planeta. Originalmente uma villa à beira-mar, foi convertido em cassino pelos oficiais norte-americanos à época da II Guerra, e, posteriormente, tornou-se um ambiente bastante frequentado por intelectuais e artistas de esquerda à época da ditadura no Brasil (1964-1985).

Detalhe do Palácio da Abolição, no limite entre a Aldeota e o Meireles. O projeto é de Sérgio Bernardes, concluído em 1970 [e é também um de meus  preferidos no vasto catálogo de arquitetura moderna da cidade].

A Praça Portugal, no coração do centro comercial da Aldeota, durante a noite. É possivelmente uma das áreas mais elegantes da cidade no presente.

Um casal exercitando-se à altura da Volta da Jurema, na Beira-Mar, com o Porto do Mucuripe ao fundo. O aldeotense médio não troca Fortaleza pelo Rio, mas de jeito nenhum. A verdade, no entanto, é que há ainda uma grande disparidade entre áreas bastante afluentes a Leste e Sul (Aldeota, Meireles, Dionísio Torres, Varjota, Dunas, Praia de Iracema, os novos bairros do Sul) e boa parte dos bairros a Oeste (à exceção de uns poucos, como Bairro de Fátima, Benfica, Parquelândia, Montese ou Jacarecanga, onde há predomínio da classe-média).

Uma boa opção para observar a orla da cidade a partir do mar, além dos molhes,  é a de alugar um caiaque e seguir pelas calmas águas da Enseada do Mucuripe até a Praia do Ideal, passando pela Volta da Jurema (foto) com seus moderníssimos hotéis, flats e resorts.

Vista Panorâmica da Beira-Mar de Fortaleza à altura do Meireles.

meireles e volta da jurema

Fortaleza, vista aérea, do Leste para o Oeste, com a Volta em primeiro plano e  a Serra de Maranguape ao fundo

Esta é a cidade de Fortaleza. Ou ao menos algo do que tem de mais atraente. O nome completo: Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. A data da fundação: 1726. Mas a origem da cidade remonta a um forte erigido à época da ocupação holandesa, em meados do sec. XVII, chamado Schoonenborch. Desse forte inicial não há vestígios depois que sobre ele se ergueu a fortaleza lusitana que cedeu o nome à cidade. A fortificação existe até hoje, próxima à Sé, embora bastante modificada. A cidade tem crescido economicamente acima da média nacional na última década. Atualmente é a quinta maior cidade do país e a de maior densidade demográfica. Fato: há muitos problemas para os 3,5 milhões de habitantes de sua área metropolitana. Mas há também muitas compensações, boas soluções e não poucas belezas. Entre estas, algumas das mais exuberantes praias urbanas do Brasil. E toda a costa cearense não só não desmente a beleza das praias da capital como em certos trechos a potencializa a níveis quase surreais. A cidade encontra-se entre os quatro mais procurados destinos do turismo interno. Aos que não a conhecem: muito prazer! (E vai também para a Luciana morrer de saudade). Nela medrou o mais irreverente movimento literário do Brasil: A Padaria Espiritual – aos que tem tempo, vale a pena, e muito, uma consulta à Wikipédia. Os estatutos da agremiação são magnificamente bem-humorados, e devem ter sido redigidos por um ancestral do Manuel S. Fonseca – embora alguns deles escrevessem num estilo quase tão ático quanto o da Ivone Costa. Eles editavam fornadas (edições) de seu jornal: O Pão. Foi em fins do sec. XIX. A Academia Cearense de Letras, mais sisuda, é também mais antiga que a Brasileira. E o estado foi o primeiro a libertar seus escravos (1884), quatro antes do Rio, de São Paulo e do restante do país. Por isso é chamado Terra da Luz, o que, de resto, corre muito adequado, uma vez que há mais de 300 dias de sol por ano. A temperatura média raramente escapa de variar entre 22ºC  e 31ºC. Mas o detalhe é que mesmo nos meses mais quentes, de dezembro a abril, corre uma brisa forte e fresca, que nunca nos deixa naquele prejuízo, naquele insuportável sufocamento do verão em São Paulo ou no Rio. Sem dúvida a etapa mais amena e prazerosa vai de fins de maio a começos de setembro. Se escolhesse um mês para estar em Fortaleza: agosto. Já a estação de chuvas estende-se de dezembro a abril, quando as há. Os fortalezenses a chamam de “inverno”, quando na verdade é verão; e sucedem-se os meses de maior calor, especialmente se há estiagem.

Verdade que em Fortaleza não há muitas velhas fachadas. Quem quer mais história, deve ir a Minas, Recife-Olinda, Salvador, São Luís ou São Cristóvão. Fortaleza é bárbara. Já lamentei mais sua falta de história. (Quando a gente era menino, só queria saber de Paris. Mas também, dimensiona-se depois: a praia, convenhamos, estava ali, garantida, à hora que quiséssemos. E a praia é até um pouco mais concreta, desnuda e divertida que as meta-teorias francesas). Fortaleza é deliciosamente plebeia, de veraneio, um tanto nova-rica – às vezes ostensivamente – e se basta. Mas hoje já rivaliza sem tirar nem pôr com a aristocrática Recife, que a olhava de muito cima para baixo até meados do sec. XX. Numa de suas poucas fachadas antigas, no entanto, a Igreja e o Seminário da Prainha, situados no alto de uma colina, mais ao Centro da cidade, lembro de haver levado, certa feita, alguns amigos alemães em visita ao Ceará. Um casal dentre eles já havia morado em Lisboa, e disseram, ao passarmos por ali: “ah, aqui nos sentimos em casa”. A região do Passeio Público, também no Centro, guarda alguma vaga semelhança com a Alfacinha. E a cidade era muito portuguesa até a década de 30 do séc. XX, quando o modelo começou a guinar para o norte-americano (verticalização) e priorizar o automóvel. Muita coisa foi posta abaixo, embora ainda se ache um ou outro vestígio dessa arquitetura de sobretons art-nouveau. Porém são aspectos pontuais, avulsos, numa cidade de imigrantes, da América, mestiça, do Novo Mundo. Recentíssima. O detalhe: no Mundial de 2014 será a sede mais próxima da Europa: 5.500 Km de Lisboa: cerca de 7 horas (6hs57min) num vôo direto.

*

Quatro canções que são a cara da terra:

“Canteiros” (Raimundo Fagner sobre o poema de Cecília Meireles) – com o autor

“Pequeno Mapa do Tempo” (Antônio Carlos Belchior) – com o autor

“Beira-Mar” (Ednardo) – com o autor e Téti (vocais)

“Mucuripe” (Antônio Carlos Belchior-Raimundo Fagner) – com Elis Regina

Sobre Ruy Vasconcelos

Nasci mais ou menos no Brasil. Vivi em alguns lugares distantes. Em trânsito. Em transe. Em tradução. Por aí, ocupado com palavras. Palavrinhas, palavronas. Conheci estes amigos portugueses um blogue atrás. E gostei do que li.
Esta entrada foi publicada em Post livre. ligação permanente.

8 respostas a A Loira Desposada do Sol: Fortaleza

  1. Devia te mandar uma foto: eu, chorando. E a conta da caixa de lenços. Mesmo que eu esteja – e estou – tão, tão feliz, a saudade é que nem espinho na planta do pé, quase nada a doer, mas incomodando quase todo tempo. Enfim. Aguenta a dor, dizia a Samarica Parteira. O comentário não saiu, devem ser os olhos borrados. Eu volto.

    • Ruy Vasconcelos diz:

      que lenços de papel andam pela hora da morte em lisboa, desconhecia. mas espero ter valido o filme, “onte”.

  2. Rita V diz:

    Da próxima vez que for a Natal ‘pego’ uma ponte aérea e bebo um chope com o primo! Este seu texto é um convite à descoberta desse seu amor e fez-me lembrar, Sérgio Bernardes que trabalhou num Estudo Prévio para um Hotel com o meu pai.
    😀
    The­a­tro José de Alen­car lindoooo

  3. Ruy Vasconcelos diz:

    sim. bernardes tem projetos interessantes, uma casa na serra fluminense para lota de macedo soares e o hotel tambaú, em joão pessoa. o theatro é uma be-le-za. precisava de um praça melhor cuidada à volta. natal é fortaleza aí em meados dos 80, mais ainda mais tranquila. em geral, vou a ponta negra ou à praia dos artistas, quando estou lá.
    então, pega essa ponte que a gente toma “alguns”: meia-hora de voo.

  4. CC diz:

    Se tiver concurso aí para a faculdade tou indo…aqui nem tem bicho andando no campus, nem nada 🙂
    ~CC~

    PS. E não há nem uma favelazinha, nem um bairrinho menos lindo…? Não vá enganar a gente, tá?

    • Ruy Vasconcelos diz:

      olha, cc, tem havido concursos, sim. é entrar nos sites das instituições e buscar: ufc (universidade federal do ceará), uece (universidade estadual do ceará) e unifor (universidade de fortaleza). e admitem estrangeiros mediante concurso.

      evidente, também há favelas. muitas, aliás. e ainda muita pobreza, apesar de haver sido reduzida sensivelmente nas últimas décadas. especialmente no oeste da cidade há condições urbanas ainda precárias, a necessitar reformas urgentes. (mas também que eu saiba não se exibem os bairros mais pobres de lisboa – como o casal ventoso – a cada vez que se mostra um catálogo de fotos da cidade :-). e há, sim, muitos problemas com o trânsito, com alguma violência – embora seja mais segura que o rio ou são paulo neste aspecto.

      nos bairros de classe-média, no entanto, vive-se muito bem. e eles estão se tornando a maioria

  5. Chamem a Tia, se faz favor! Ela tem aqui, em meio da sala, uma nuvem de gentileza. O que aqui em cima está não é um catálogo de agência e é mais do um guia personalizado. Ali em cima está um convite amoroso. Mar e luz de fechar os olhos, uma cidade para ir e ficar a viver.
    Vou dizer uma enormidade: Pareceu-me uma Califórnia em humano e o Teatro José Alencar é muito mais bonito do que o Kodak Theatre.
    Agora sei, Ruy, o que o faz ficar em casa. Obrigado e um abraço

  6. Ruy Vasconcelos diz:

    eu que agradeço estar por aqui e poder apreciar os seus textos sobre cinema, manuel, e os textos dos demais có-bloggers, sempre muito instigantes, concorde-se ou não com eles. há um aspecto crucial, no entanto, numa apresentação assim: é que este país é muito grande, e muito filtrado por clichês. e, de outro modo, é uma pena que, por circunstâncias diversas o comércio – cultural e turístico – entre portugal e o brasil ainda seja tão mesquinho se comparado àquele entre o reino unido e os estados unidos, por exemplo. ou mesmo o que há entre a frança e o quebec. sairíamos todos lucrando se nos conhecêssemos um pouquinho melhor, e para além dos usuais clichês. portugal para o brasileiro: lisboa, o bairro alto, pastéizinhos de belém. e o quê mais? quando muito as caves do porto, fátima, o faro ou talvez sintra. o brasil? o rio, são paulo e, se tanto, salvador ou foz do iguaçu. mas há muito mais do que isso em cada um dos países. e o nordeste, que é onde o espírito português está mais assentado – assim como também no rio – às vezes passa um pouco batido. a gente percorre o centro histórico de uma cidade como são luís e parece que está em portugal. belém, na entrada da amazônia, tem muito de portuguesa. mas há portugal também no sul. em ouro preto, então, nem falar. ou goiás velho. florianópolis possui pequenos nichos que nos lançam de imediato aos açores. mas tudo isso fica um tanto obscurecido diante de uma excessiva centralidade rio-sampa. uma centralidade que empana muita coisa. e mesmo talvez as melhores.

Os comentários estão fechados.