Em forma de sofisma

É isso mesmo!
Hoje – que é como quem diz há uns tempos – sinto-me em forma de sofisma.
Começou por este fantástico Messerschmitt KR200 que encontrei no mainstream do facebook: fez-me lembrar um fim de trip, em Luanda, em que tudo e todos, pessoas, edifícios, carros, me pareciam o ambiente feérico e caricatural de um bom mas estranhíssimo  filme de animação (do qual eu fazia parte, claro).
Senti logo uma grande empatia, não pelo idiota que lá vai (ia) dentro, mas pelo carro em si, pela sua semelhança razoável com os ET’s que Matt Groening desenhou para animar um pouco mais esse microcosmos todo especial que é a série dos Simpsons: em verde e a babar-se por baixo era tiro e queda!
Depois lembrei-me do meu amigo Maurício (que já apareceu AQUI) e da terminologia que utilizava quando se sentia neura – o que no caso de um hedonista de tamanho calibre era normalmente prenúncio de aproximação à rápida pista do delírio mais louco daqueles tempos (por norma com piada, diga-se):
Hoje sinto-me assim um bocado em forma de sofisma…, dizia ele em tom evanescente. Não raras vezes resolvia o problema abrindo champagne – e a questão resolvia-se por si em crescendo rapsódico.
Sendo assim, e como não posso abrir nenhum champagne (tornei-me esquisito com a idade e só bebo um pouco de vinho, apenas ao jantar…), acho que lhe vou telefonar. Só para dizer que ainda estou vivo.
Ah!, pois, é isso: ainda estou vivo!
(é só para lembrar…)

Ora digam lá que os ET’s do Groening não são parecidos com o Messerschmitt KR200?…

Sobre António Eça de Queiroz

Estou em crer que comecei a pensar tarde, lá para os 14 anos, quando levei um tiro exactamente entre os olhos. Sei que iniciei a minha emancipação total já aos 16, depois de ter sido expulso de um colégio Beneditino sob a acusação – correcta – de ser o instigador dum concurso de traques ocorrido no salão de estudo. E assim cheguei à idade adulta, com uma guerra civil no lombo e a certeza de que para um homem se perder não é absolutamente necessário andar encontrado. Tenho um horror visceral às pessoas ditas importantes e uma pena infinita das que se dizem muito sérias. Reajo mal a conselhos – embora ceda a alguns –, tenho o vício dos profetas e sou grande apreciador de lampreia à bordalesa e de boa ficção científica.
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20 respostas a Em forma de sofisma

  1. G.Rocha diz:

    Cada vez mais gosto de o ler 🙂

  2. Rita V diz:

    um post de três assobios e um clip de mil piiiiis
    🙂

  3. Aie, Rita, não me assuste… Mil piiiiis?…
    Mas eu desta vez nem disse palavrões!… 🙂

  4. António, sem sofismas, estás bem vivo: o carro não sei se é um sofisma, mas lá que é um paradoxo…

  5. fernando canhão diz:

    Ter simpatia por um Mes­sers­ch­mitt KR200 e Matt Gro­e­ning abona muito a favor de quem la tem.
    3 sugestões, numa real base amiga:
    AA) Ler Akbar & Jeff, as suas aventuras em Life in Hell antes de dormir.
    BB) Conduzir um Smart, já a dar para o coçado (se tiver de o comprar ronda-lhe os 2000 euros), numa qualquer cidade portuguesa, mas sempre a assapar, aquilo aguenta tudo e anda mais que o Mes­sers­ch­mitt. Só vai parar quando lhe acabar a gasolina (ou gasóleo, também os há). Hombre você vai ver que vivinho ainda está.
    CC) Beba só tintos de 1ª qualidade, e sempre depois das 18:00, sem amendoas, salgadinhos ou outras paneleirices, mas em bons copos e pare sem equivocos antes de jantar. Uma sopa de legumes e cama. Vai ter os fins de tarde mais catitas que algumas vez possam existir.
    CC plus) Venha a Lx em Março à aula magna ver os Yo la tengo.
    Nota única. A companhia para tais desmandos fica à sua escolha que eu cá não me meto na vida de ninguém. Se com o Smart, numa passadeira(?) despachar alguém que não lhe seja simpático, não pare. Aquilo é de plástico e muda-se a frente toda em 16 minutos. Sei onde as há baratissimas.

  6. Fernando, esses 16 minutos são cruciais!
    (duvido é que consiga entrar num Smart, pelo menos sem uma calçadeira a preceito…)
    As suas sugestões pareceram-me bastante sólidas, salvo o vinho, valha-nos S.Polifemo de Cortegaça!
    Obrigado.

    • fernando canhão diz:

      Meu caro Eça, aquilo é enorme, mesmo para os meus 1800mm, e em estado de erecção diz quem sabe o que não foi o meu caso. acerca do tinto pelo menos experimente uma vez, fica-se com um sorriso qual turista alemão na zona de Monchique. mas claro desde os 7 anos que estou apaixonado pelo Mes­sers­ch­mitt, a porra é que andam pelos 25.000 euros e pegam mal, e como se conduzem em tandem o toque de joelho em parceria não deve ser para amadores. Aliás num Smart você pode pôr um cup holder para um Riedel e manter o Zé de Sousa 1982 junto da saída do ar condicionado, nos triviais 8 graus. O Futuro é vermelho, isto é tinto..

      • Diachos, Fernando, você é um expert! Suponho que essa acrobacia do joelho no Messerschmitt dá direito a capotanço, não?
        Sim, tinto, nada de confusões…

        • fernando canhão diz:

          Apenas um humilde idoso, semi esclarecido e pré acamado. De qualquer modo e certamente para obviar o problema por si levantado o simpático cabin roller a partir de 57 aumenta o numero de rodas de 3 para 4 passando a Tg 500, mas insisto, tirando o vinho e alguns móveis ou imóveis, coisas modernas como um vulgar Smart tem muito mais piada na utilização. E claro o vinho é tinto, o resto são bebidas.

  7. Curioso (4 rodas) diz:

    Sofisma acaba aqui: Tg500 é (foi) outra coisa. Vou peregrinar a S. Polifemo, rimando (quase) com vermelho?

  8. Uma invasão alienígenas de Messerchmitts é que podia animar isto.

  9. Curioso (4 tempos) diz:

    O poorTugal? talvez os pardos de Monchique?

  10. nanovp diz:

    Sofismas e Simpsons são uma bela combinação…e todos dentro do Messerschmitt!!!

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