Fáustica

Estou a cair de sono, mas há um silêncio luxuriante com textura de chocolate quente que me segura aqui. Aquele chocolate denso e apimentado que sabe ao prenúncio da loucura ou a outra metáfora qualquer, tanto faz, que nenhuma lhe chegará perto. Apetece ficar-lhe de vigília, defendê-lo da manhã e da vida. Ficar de guarda, sem deixar que o atinja o barulho diligente do dia que recomeça.

Todas as noites eu tento vender a alma por um silêncio assim, mas apenas consigo alugá-lo por umas horas.

São altos os preços dos deuses e a minha alma desvaloriza a cada minuto que passa.

Sobre Ivone Mendes da Silva

Entre lobos e anjos me habituei a escrever. É talvez por isso que, para além de asas e de uivos, as palavras me tropecem e não encontrem sozinhas o caminho das folhas. Nessas alturas, peço para elas a bênção da tristeza, musa de sopro persistente, que triste me faz e a acolhedoras mesas me senta.
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Uma resposta a Fáustica

  1. curioso (acho colatado) diz:

    os deuses não vão parar de fazer barulho e as almas não vão ficar em paz
    o choco late é mortal se não for diluído

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