Fotografia e Morte

Winter Journey, 1991. Nobuyoshi Araki

Me and Dad, 25th August 2009. Briony Campbell

Post Mortem Photography, Silver Gelatin Print, 1920s-30s, North Carolina. Paul Frecker Collection

Leiam mais. Aqui.

Sobre Pedro Norton

Já vos confessei em tempos que tive a mais feliz de todas as infâncias. E se me disserem que isso não tem nada a ver com tristeza eu digo-vos que estão muito, mas muito, enganados. Sou forrado a nostalgia. Com umas camadas de mau feitio e uma queda para a neurose, concedo. Gosto de mortos, de saudades, de músicas que nunca foram gravadas, de livros desaparecidos e de filmes que poderiam ter sido. E de um bom silêncio de pai para filho. Não me chamem é simpático. Afino.

Esta entrada foi publicada em Post livre. ligação permanente.

5 respostas a Fotografia e Morte

  1. Tomaram muitas fotografias de vivos ter a vida destas fotografias de mortos…

  2. Inma diz:

    Só faltam as fotografias do ditador Francisco Franco Bahamonde, feitas por o seu genro.

  3. fernando canhão diz:

    Existem as mais variadas opiniões, e juízos de valor, sobre este filme de Wenders. A cada qual a sua verdade.

    Para mim é uma homenagem, sincera e honesta, que completa “O Amigo Americano”.

    Acompanhei a morte da minha mãe, durante a noite que procedeu o seu falecimento. Bebi um tinto trazido pelo meu cunhado, com quem falei a noite inteira, no quarto onde ela estava. A meio da noite a senhora do lar trouxe-nos sandwiches embrulhadas em papel de prata.
    No caso do meu pai o hospital só me avisou no dia seguinte, e responsáveis ou não, nunca lhes hei-de perdoar. Quando fui reconhecer o cadáver, enganei-me na hora e na porta, e assim dei com o corpo do meu pai nu, num tabuleiro de alumínio. Os dois indivíduos que almoçavam na sala, a esses pedi-lhes sinceramente desculpa, por os ter interrompido, e pelo embaraço que lhes causei. A responsabilidade da situação foi exclusivamente minha. Aliás ver o meu pai nu, nada teve de estranho. Conhecia-o há 73 anos, e até adoecer foram sempre, ele e a minha mãe, o meu único suporte incondicional. Saber que alguém nos apoia, ignorando se temos ou não razão não se descreve.

    Acerca de fotografar a morte, antes ou depois de consumada, por mais que leia e pense sobre o tema fico sempre sem saber o que pensar. E duvido que alguém me consiga elucidar.

  4. riVta diz:

    Não sei muito bem que dizer. Talvez que as imagens do meu pai a morrer voltaram e que senti que foi bom eu estar presente. Não gostaria de o ter fotografado.
    Fotografo o envelhecimento da minha mãe. Talvez por não querer que ela morra.
    Fotografar também pode ser triste.

  5. nanovp diz:

    Tema pesado Dr. Um certo sentido de estar a olhar um momento de enorme intimidade, que às vezes apetece não interferir.

Os comentários estão fechados.