Fragmento

 … devias saber que a solidão é um vício e é o mais arrebatador de todos eles,  por sinal. A provocada ausência do outro é uma forma subtil de luxúria e não há teologia que me convença desse mal. Nunca conseguirás ser igual às minhas horas sozinha, nada em ti é melhor do que não estares. Nem os dedos que fechas em pulseira à volta do meu pulso. Se me fizeres dizer o contrário, estarei a mentir.

Sobre Ivone Mendes da Silva

Entre lobos e anjos me habituei a escrever. É talvez por isso que, para além de asas e de uivos, as palavras me tropecem e não encontrem sozinhas o caminho das folhas. Nessas alturas, peço para elas a bênção da tristeza, musa de sopro persistente, que triste me faz e a acolhedoras mesas me senta.
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8 respostas a Fragmento

  1. I must down to the seas again, to the lonely sea and the sky
    And all I ask is a tall ship and a star to steer her by

  2. Ivone Costa diz:

    E isso de citar direitinho o Masefield é para dizer que estou com uma espécie de sea fever?

  3. curioso (a gitando) diz:

    direitinho… falta o go …

    http://www.youtube.com/watch?v=H7PNvgjZmP8

    quanto aos frag mentos… ficam justificados (a penas?) pela fever 🙁

    a solidão-vício passa por uma eufémica saída para um vernáculo vício-solitário? só pode…

  4. G.Rocha diz:

    “Nunca con­se­gui­rás ser igual às minhas horas sozi­nha”….
    sinto-me tão identificada nesta frase…. porque sou tão egoista a esse ponto: amo estar horas a fio sozinha, simplesmente a ouvir música ou a ler!

  5. curioso (in per turbado) diz:

    Duas: uma de cada lado, um triste par de soli tá rias

  6. nanovp diz:

    Os vícios são apenas diferentes dos bons hábitos quando não incluímos os outros…a solidão será um dos maiores…

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