Gracinda Candeias e o meu retrato

Primeiro, Gracinda Candeias viu-me assim:

Julgo que, depois, a outra luz,  manteve a mão, mas desenhou-me assim:

 Duma e doutra maneira sei que sou eu, a Escre­ver é Triste, e deixo-me estar, posando na escrita quase infantil duma mão antiga e sábia. Sou eu, sobre papel branco, letra a letra, cada uma delas muito nítida, esquinada pela ponta de um lápis singelo.

Está aqui, no meio da sala, lá em cima. Vou voltar todos os dias, para parar e olhar, a ver se consigo ser o que o retrato diz que eu sou. Porque, como dizia Salvador Dali, não se pinta um retrato para que ele se pareça com o retratado; espera-se, sim, que a pessoa cresça para se parecer com o retrato.

Sobre Escrever é Triste

O nome, tiraram-mo de Drummond. Acompanho com um improvável bando de Tristes. Conheço-os bem e a eles me confio. Se me disserem, “feche os olhos”, fecharei os olhos. Se me disserem, “despe-te”, dispo-me.

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3 respostas a Gracinda Candeias e o meu retrato

  1. GRocha diz:

    Concordo inteiramente com Salvador Dali…. é muito importante crescermos…. e eu noto que tenho “crescido tristemente” graças a Vocês!
    Não sei se algum dia conseguirei parecer com o meu retrato… mas vou tentando 🙂

  2. curioso (retratando) diz:

    e já tem retrato? quem lho fez? isso já é grandioso… nem todos têm essa graça 😉

  3. nanovp diz:

    Ficou bem escrever o “escreverétriste”…

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