Iluminações e/ou Trabalhos forçados

 Com o bilhete na mão fui conduzida do foyer do pequeno auditório do CCB ao meu lugar através do palco e:

Companhia Maior, Foto de Bruno Simão

Podia ter ficado assim como a Manuela depois de ter estado três horas a ver a encenação ‘Iluminações’ de Mônica Calle no Pequeno Auditório do CCB.
Mas não fiquei!

Companhia Maior, Foto de Bruno Simão

Podia ter ficado desconfortável com a dor de Maria sobre o corpo do filho.
Mas não fiquei!

Companhia Maior, Foto de Bruno Simão

Podia ter ficado doente com a constante movimentação de pó de toda a casca de pinheiro  ou … que cobria o chão do palco.
Mas não fiquei!

Companhia Maior, Foto de Bruno Simão

Podia ter ficado sem saber o que dizer depois de Kimberley Ribeiro ter executado um solo frenético ao metrónomo durante 6 minutos.
Mas não fiquei!

Afinal de contas … fiquei como?

Companhia Maior, Foto de Bruno Simão

Grata por poder ver Luna Andermatt e toda uma Companhia Maior entregar-se ao som, luz e movimento de uma paixão: –  O Teatro.

Companhia Maior, Foto de Bruno Simão

Zangada pela desnecessária extensão, repetição, agressão do ritmo imposto para representar uma ideia, uma intenção, o raio que o parta e não me venham falar de arte ou cultura.

O espectáculo tem momentos maravilhosos e o trailer abaixo é prova disso. É um espectáculo brilhante no que diz respeito a luz, som e alguns quadros cénicos/ sketches resultam muito bem. Mas não me venham dizer que o pó, a exaustão do actor, do espectador é intencional para criar tensão, emoção.
 Programa.
‘Boas Notícias’.

Se lá forem hoje (última representação) e quiserem sair a meio não se deixem intimidar.
Exit é a tardoz

Sobre Rita Roquette de Vasconcellos

Apertava com molas da roupa, papel grosso ao quadro da bicicleta encarnada. Ouvia-se troc-troc-troc e imaginava-me a guiar uma mobylette a pedais enquanto as molas a passar nos aros não saltassem.
Era feliz a subir às árvores, a brincar aos índios e cowboys e a ler os 5 e os 7 da Enid Blyton.
Cresci a preferir desenhar a construir palavras porque… escrever é triste.

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14 respostas a Iluminações e/ou Trabalhos forçados

  1. caruma diz:

    Vale mais tardoz que nunca, Rita (bela síntese).

  2. nanovp diz:

    Não vou conseguir, mas fico com muita pena…

    • Rita V. diz:

      Fica mal B. dizer que se o espectáculo tivesse hora e meia podia ser ‘genial’. (Era o mesmo que dizerem-nos que se tivéssemos desenhado mais janelas na fachada ficava melhor … ah ah ah … ) mas cada um tem direito à sua opinião. Né?

  3. Maria do Céu Brojo diz:

    Quanto lamento a distraída cabeça que me encima o pescoço. Outra fosse e não teria perdido. Sempre queria ver se aguentava o balanço. É que não faço cerimónia em sair pelo desgosto do que não vejo e queria.

  4. curioso (palmas olé!) diz:

    do mesmo mais, mais o desgosto, mais nove = dez gostos 😉

    p almas: hurrey: vai sem inu: e nu vai rei semi: p(um)almas: pum

  5. Pelo andar da carruagem:

  6. Ana Vidal diz:

    Já não vou a tempo, pena. Mas a minha curiosidade é sempre maior do que a exaustão… só me aconteceu sair a meio de um espectáculo uma única vez: um filme do Pasolini, há muitos, muitos anos. Sempre gostava de saber se era desta que repetia a proeza. 🙂

  7. Ana Rita Seabra diz:

    Que pena não ir a tempo
    Rita, belo post!

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