Uma questão de (m)olhos

Com absoluta incerteza, digo: “êxito sem inveja é como caracóis sem molho. E, é sabido, o molho é tudo!”

Sobre Maria do Céu Brojo

No tempo das amoras rubras amadurecidas pelo estio, no granito sombreado pelos pinheiros, nuas de flores as giestas, sentada numa penedia, a miúda, em férias, lia. Alegre pelo silêncio e liberdade. No regresso ao abrigo vetusto, tristemente escrevia ou desenhava. Da alma, desbravava as janelas. Algumas faziam-se rogadas ao abrir dos pinchos; essas perseguia. Porque a intrigavam, desistir era verbo que não conjugava. Um toque, outro e muitos no crescer talvez oleassem dobradiças, os pinchos e, mais cedo do que tarde, delas fantasiava as escâncaras onde se debruçaria. Já mulher, das janelas ainda algumas restam com tranca obstinada. E, tristemente, escreve. E desenha e pinta. Nas teclas e nas telas, o óleo do tempo e dos pinceis debita cores improváveis sem que a mulher conjugue o verbo desistir. Respira o colorido das giestas, o aroma dos pinheiros nas letras desenhadas no branco, saboreia amoras colhidas nos silvedos, ilumina-a o brilho da mica encastoada no granito das penedias.
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30 respostas a Uma questão de (m)olhos

  1. curioso (ale crim) diz:

    até porque estamos em crise e nada é absoluto… deixem-se os super fluos: basta o (m)olho 🙂

  2. Rita V diz:

    A Céu acha então que o êxito casa com a invídia, para o bem e para o mal?
    😛

    Descobri os caracóis já tarde prefiro:

    1Kg de Percebes
    3 lts água do mar
    3 dentes de alho
    6 folhas de louro

  3. Joana diz:

    Estimado Nuno da Costa,

    Sou a Joana e estou interessada no seu blog para uma campanha de publicidade. Poderia entrar em contato comigo atraves do meu email, a fim de que eu possa fornecer mais detalhes.

    Com os melhores cumprimentos
    Atentamente,
    Joana

  4. Teresa Conceição diz:

    Maria João,

    É de notar que existe incerteza na sua frase. Mas, como à mesa, parece que o importante é não abusar dos molhos.
    Já agora, que o (m)olho não dê em mau olhado (noc noc, madeira, madeira)

    • Maria do Céu Brojo diz:

      Aos maus olhados, estima Teresa Conceição, prefiro bem molhadas sopas de pão nos molhos. Sem abuso, claro!

  5. nu no diz:

    então deixe ficar o seu e-mail

  6. curioso (nin vejoso) diz:

    há cara cóis e cara coles… sem molho, tostadinhos no forno, uma délice😉

    assim, êxito sem in veja pode ser um belo ace pipe

  7. Maria do Céu Brojo diz:

    Parece-me muito, mesmo muito bem. 🙂

  8. É bem verdade, Maria, se não fosse o molho ninguém comia a carne

    • Maria do Céu Brojo diz:

      Comer, alguns comeriam tivesse ela aspeto tentador. Todavia, quem educou o palato, necessita do mollho para refeição comme il faut.

  9. curioso (a paz igua dor) diz:

    aqui a receita é muito mais suave e o saber muito mais dilatado

    http://palavras-cruzadas.blogspot.pt/2011/10/como-cozinhar-os-perceves.html

    com a química corrosiva aqui exposta (inveja, invídia, frango vs galinha, …) aproveite-se um ex tintor, sempre oportuno, que apaz iguará ambas partes, perce bem? 🙂

    percebe |ê|
    s. m.
    Crustáceo da ordem dos cirrípedes que se assemelha exteriormente a um molusco (devido à sua concha calcária), comestível, que vive preso aos destroços e rochedos marinhos por um forte pedúnculo, que é a parte comestível. = PERCEBA, PERCEVE

  10. Maria do Céu Brojo diz:

    Entendi o «percebes» como acima referi à Triste e estimada prima Rita. Com a ligação que forneceu aumentei o saber de tudo um pouco.
    Que não seja julgado haver discórdias – aprecio o sentido de humor da ‘prima’, o talento e a oportunidade. Muitos como eu.

  11. curioso (percebeves) diz:

    entendeu as percebes mas prefere perceves, com molho, oh capa!

  12. curioso (le con caseur) diz:

    mais certainement, mon amie

    • Maria do Céu Brojo diz:

      Pouco entendi pela velocidade na fala. Mais lento o discurso e poderia ser delícia, quem sabe?

  13. Caracóis?! Beurk… Prefiro iguana estufada (desculpe lá, Céu…)

    • mariabrojo diz:

      A farofa de formiga arrasou-me. Já a do morcego frutívoro não me pareceu muito mal (tenho de perguntar ao Sr. Mário se os que abundam na casa mais antiga da Beira são dessa espécie. Na mais recente, entra cada avião!)

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