A mulher que escreve

Desenhava mesas e fotografava mulheres. Estou convencida que talvez seja uma precipitada síntese da vida e obra de Carlo Mollino. Mas juraria, se não fosse deselegante uma mulher jurar, que o italiano nascido em Turim, no começo do século XX, não renegaria o motto.

Não está na minha natureza fazer escorços biográficos. E, infelizmente, o Carlos Mollino, falecido em 1973, não tem já condições para vir aqui, como no TED, fazer uma charla. Foi arquitecto, designer, fotógrafo, um talento desmedido e inclassificável, corredor de automóveis até. Como aqui se lê, como aqui se vê.

O que me faz trazê-lo à sala nobre é só a fotografia lá de cima de que o meu menino Nuno (não parte um prato, não!) me ofereceu o original. Nunca tão redondamente Escrever poderá ser mais Triste.

Sobre Escrever é Triste

O nome, tiraram-mo de Drummond. Acompanho com um improvável bando de Tristes. Conheço-os bem e a eles me confio. Se me disserem, “feche os olhos”, fecharei os olhos. Se me disserem, “despe-te”, dispo-me.
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16 respostas a A mulher que escreve

  1. curioso (cu rioso) diz:

    então a foto é a imagem mais real da dita, embora não esteja (ainda) a escrever… por falta de papel e excesso de calor, como tudo leva a crer 😉

    vamos ver…

  2. Tia: nada mais se me oferece dizer senão que estamos perante um portentoso rabo.

  3. Escrever é Triste diz:

    ai que mau menino que o menino ai… faltam-lhe as palavrinhas, faltam? Pois saiba que foi o que disse o Gore Vidal ao Normal Mailer (não lhe disse “portentoso rabo” e por acaso até podia ter dito, mas sim “faltam-te as palavras, Normanzito”)

    • curioso (so letrando) diz:

      o Normal não se teria ficado, mostrando que não tinha papas nas bocas:

      “Bill Clinton age como um caipira deslumbrado com a cidade grande. Ele fica perseguindo umas mulherzinhas que em Washington os políticos com um mínimo de compostura ignoram.”
      ―Norman Mailer

  4. curioso (res friado) diz:

    se os encapuchados do Magritte tiveram tanto aproveitamento, creio bem que este tão descarado (mas bem es cusado) retrato tenha réplicas dignas da sua distinta pro vocação. a taça está meia…

    • Escrever é Triste diz:

      Curioso, não confunda, não trouxe a fotografia de Mollino como mote, mas sim como coda.

      • curioso (coda uma) diz:

        como coda nota-se bem, com elogios!, mas há ali também um motto e ele era mais automóveis e aviões (e mesas)… ai se eu te pego 😉

  5. Henrique Monteiro diz:

    Comecei a profissão a escrever numa máquina igual àquela – honi soit qui mal y pense

    • Escrever é Triste diz:

      Menino Henrique, pelo que sei tem concorrentes: há neste blog dois aficionados da Hermes Baby.

  6. curioso (in sano) diz:

    pois… se fosse com a honey… lá se ia a profissão 😉

  7. Panurgo diz:

    Não tinha reparado na máquina de escrever. Tinha-me parecido que a senhora se preparava para executar a manobra de Valsalva; afinal é uma artista, sai-lhe pelos dedos.

    (o rabo é jeitoso, sim senhora: dá vontade de lhe dizer, à senhora, aquelas mesmas palavras proferidas pelo grande patrono da eloquência erótica, o Demóstenes das Amoreiras, o Arquitecto Quebra-Bilhas: «olha o que vai entrar neeeesse cuuu!» Mas a senhora poderia levar a mal; silêncio e contemplação, como na Hélade de Ulisses.)

  8. curioso (fogo!) diz:

    salvo seja… sub tileza 🙁
    não seria para a outra senhora? OMG

  9. Maria do Céu Brojo diz:

    Não que desdenhe «prenda» assim, mas o Olimpo me livre desta figura ao escrever.

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