Alexandria

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Com a saída, pela Dom Quixote, d’ O Quarteto de Alexandria num único volume, pensei que tinha de me deixar de coisas já que na estante há pelos menos dois quartetos e outras tantas Justines. Os livros são uma tentação e a pior delas, por sinal, pois que o não lhe resistir resulta sempre em proveito, ainda que uma pessoa deixe na livraria o que devia guardar para outros agasalhos. Justine faz parte do conjunto de livros que li mal chegada à adolescência coisa que, já disse, me fez muito mal à cabecinha, uma vez que ao prosaísmo das coisas certas e precisas fiquei sempre e irremediavelmente a preferir cenários de romance o que, como bem se imagina, traz sempre uns amargos de boca. Durrell escreve por lá e ante rem: As pessoas deste romance, o primeiro de uma série, pertencem inteiramente ao mundo da ficção. Contudo, a cidade é real. E basta uma cidade para levantar um mundo, nunca isso me pareceu tão verdade como n’ O Quarteto.  Ah, na imagem está Yvette, aliás Eve Cohen Durrell, uma judia de Alexandria que foi a segunda mulher de Durrell e em quem dizem que o escritor se terá inspirado para criar Justine.

Sobre Ivone Mendes da Silva

Entre lobos e anjos me habituei a escrever. É talvez por isso que, para além de asas e de uivos, as palavras me tropecem e não encontrem sozinhas o caminho das folhas. Nessas alturas, peço para elas a bênção da tristeza, musa de sopro persistente, que triste me faz e a acolhedoras mesas me senta.

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8 respostas a Alexandria

  1. Panurgo diz:

    Estou na dúvida de comprar. Tenho um ou dois volumes da Ulisseia (nunca os li) e são caros. Essa edição está em português de homens ou de cães?

    • Ivone Costa diz:

      Estimado Panurgo, esta edição é uma muito boa tradução de Daniel Gonçalves. É, aliás, uma reformulação das traduções que o mesmo fez para as edições que a Ulisseia publicou entre 1960 e 61, tendo em conta as alterações que Durrell introduziu no texto que entendeu considerar como definitivo em 1962. Se é isso que pergunta, segue, infelizmente, o Acordo. Embora, acredite, pouco se note.

      • Panurgo diz:

        Não posso ver nem uma palavra mutilada.Quando puder vou ver se consigo arranjar os antigos. Mas depois. Veja lá que estive toda a vida convencido que o Durrell era francês e só no outro dia me desenganei. Não é gajo que vá muito à bola, o Livro Negro é uma coisa intragável, embora tenha lido o Tunc com gosto. Só que toda a gente diz bem do Quarteto, até o Bloom, e agora você, Deus me livre de não o ler.

  2. O Durrell devia ter pedido à Eve que gravasse um audiobook. A voz que devem ter os olhos tão maravilhosamente tortos desta mulher!

    ps -E mesmo a Ivone terá de me perdoar este ponto de exclamação.

  3. Curioso (justino) diz:

    O ‘Está escrito’ acabou ou foi atacado?

    A Yvette da foto era ainda uma triste menina ou é da menina dos meus olhos?

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