Bodies, Rest and Motion

 Todas as críticas de cinema deviam ser assim. Mas não haveria jornal em Portugal disposto a publicá-las. O exercício da crítica é uma forma de impressionismo romântico (com um toque de Rubens e Francis Bacon), não é  uma modalidade de expressionismo abstracto, como se tornou norma.

 Excalibur

Excalibur

John Boorman, US, 1981

 

“A student ghetto in Leeds, the early 1980s. A dedicated economy of pleasure prevails, its currencies being bodily fluids, copious alcohol and drugs, and recently discovered VHS tapes. Films are viewed communally, in the stygian gloom of dimly lit front rooms in various heightened states. There was a much simpler accounting of a film’s worth back then: in the words of one of my long-lost compadres, either “fackin’ superb” or “fackin’ shit”. In the former category was Boorman’s Excalibur. I can’t remember much about the film itself, more the sensation of stupefied surrender, an almost mystical communion not dissimilar, perhaps, to the film’s own rapturous immersion in a mythical, pre-rational universe. I’ve an abiding impression of thunderous Wagnerian overload, interspersed with quieter moments; an emerald-green world charged with potent poetry and primitive magic; the conviction and intensity of Nicol Williamson as Merlin. It registered as profoundly erotic too. Has Helen Mirren ever been hotter than she is here, playing the evil Morgana? And there’s a sex scene where Arthur shags his wife on a table while still wearing his armour (you won’t find that in Bresson’s Lancelot du Lac). I never saw Excalibur on the big screen, but still, at times it felt like you were actually in the film, as if the distance between viewer and film had been obliterated, so you became, as Jeff Koons once said, “a little lost in the fantasy”. Today, I still couldn’t tell you whether Excalibur is any good or not. It’s possibly kitsch, portentous 1980s nonsense, but I prefer not to watch it again, particularly now I’m permanently sober, and sully the few memories that remain of it.”

 Kieron Corless, a propósito do lançamento em Blu-Ray de “Excalibur”, do subestimadíssimo John Boorman, na “Sight and Sound”

 

Sobre Pedro Marta Santos

Queria mesmo era ser o Rui Costa. Ou sonâmbulo profissional. Se não escrever, desapareço – é o que me paga as contas desde 1991 (são 20 anos de carreira, o disco está a sair). Há momentos em que gosto mais de filmes do que de pessoas, o que seria trágico se não fosse cómico – mas passa-me depressa. Também gosto dos olhos da Anna Calvi. E das bifanas do Vítor. Aprecio um brinde: “À confusão dos nossos inimigos”. Não tenho nenhuns, só uma ternura infinita pelo azul das árvores e o amarelo do mar. E peço: digam-me mentiras.

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5 respostas a Bodies, Rest and Motion

  1. Curioso (compadre) diz:

    Grande e triste denúncia… autodenúncia? Está perdoado. 😉

  2. nanovp diz:

    Pedro, gostei bem mais do texto do que do filme, “fackin great “!

  3. “Fackin great indeed, mate”, embora eu goste muito do filme.

  4. Vasco Grilo diz:

    Recordo um grande filme todo cor de laranja fogo. E estava sóbrio…

  5. Para um tipo passado, o teu crítico não falhou o enssencial: a Helen Mirren hotter como nunca antes ou depois. E sim, a crítica ou é confessional ou não é.

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