Caridade: títulos para livros de poesia

poesiaSabendo eu, dentro das pequenas coisas que sei, que um título para um livro de poesia é difícil de encontrar;

Sabendo que Camões, Bocage, Tomás Ribeiro, Florbela, Pessoa, Sophia, Herberto e Alegre, por exemplo, já ocuparam, respetivamente, títulos tão bons como  ‘Os Lusíadas’, ‘A Virtude Laureada’, ‘D. Jaime’, ‘Livro de Mágoas’, ‘Mensagem’, ‘Dual’, ‘O Bebedor Noturno’ e ‘Praça da Canção’;

Sabendo, até, que um livro de poesia, dos bons, se chama ‘O Estado dos Campos’ (Nuno Júdice);

Aqui deixo uma lista de títulos que podem ser livremente utilizados por poetas sem imaginação para títulos:

  • Brisas do Ocidente,
  • Arte de Amar
  • Horas de Silêncio
  • Orações de Crepúsculo
  • Sol de Outono
  • Horas Amargas
  • Longe
  • Livro de Quimeras
  • Açucenas e Goivos (bom para ser ilustrado)
  • Flores de Outono
  • Estrela de Alva
  • Andorinhas
  • Brumas doiradas
  • Estátuas de espuma
  • Claustro de Símbolos
  • Rosas de Abril
  • Nuvens
  • Roteiro de Saudades
  • Madrugada
  • Varandas lilazes
  • Chuvas de Maio.

É só uma pequena lista de livros, na verdade, já todos publicados e dos quais ninguém se lembra. Ninguém, salvo José-Augusto França (ainda noutro dia o vi fresco na Gulbenkian, apesar dos seus muito provectos 90 anos), que fez esta lista de títulos de livros de poemas esquecidos, todos publicados nos anos 20, enquanto, como ele diz, Pessoa ia compondo os seus.

E eu, ao ler este post do Manuel decidi vir a terreiro dizer que, assim se prova, há sempre quem se lembre – e enquanto alguém se recordar das Açucenas e Goivos ou das Varandas Lilazes, esses livros (que nunca li), apesar de tudo, sobrevivem.

Foi esta a minha caridade da quadra.

 

Sobre Henrique Monteiro

Nunca fui um sedutor, embora amasse algumas mulheres hospitaleiras. Nunca fugi de um combate, mas sempre invejei quem, ao abrir as portas de um saloon, provoca pânico entre os bandidos. Tenho nas veias sangue jacobino, mas odeio revoluções e igualdades uniformizadoras. Sou pacato e desordeiro, anarquista institucional, maestro falhado, cantor romântico e piroso a quem falta tom. Sem nunca me levar a sério - no melhor sentido da palavra, acho que apenas sou um homem bom (e barato).
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11 respostas a Caridade: títulos para livros de poesia

  1. Ivone Costa diz:

    Gosto do travo Rosa Cruz naquele Claustro de Símbolos. A Arte de Amar já me parece um bocadinho déjà vu, mas tudo bem …. 🙂

  2. Vasco (da) Gama diz:

    este é um gesto tristemente fútil, uma vez que não se conhecem poetas sem imaginação

  3. Rita V diz:

    … e a imagem do post? Uma ilustração que resume ilustres títulos é de quem?
    Talvez de quem a apanhar decerto, mas já agora …
    😛

    • Henrique Monteiro diz:

      Ó diabo. Não faço ideia. Mas é um bocadinho pirosinha… Vou ver se descubro… Já está é do Sandro Bahiense – seja lá quem ele for

  4. Manuel S. Fonseca diz:

    “Varandas Lilazes” é o meu favorito, Henrique. Imagino poemas em ferro forjado e uma mão de tinta verde. (Não te livras de levar com uma lista que vais já ver!)

  5. Teresa diz:

    Pois eu gosto da imagem. Lembrei-me deste texto do Neruda

    “E não esqueçamos nunca a melancolia, o gasto sentimentalismo, perfeitos frutos impuros de uma maravilhosa qualidade esquecida, deixados atrás pelo frenético livresco; a luz da lua, o cisne ao anoitecer, “coração meu” são sem dúvida o poético elementar e imprescindível. Quem foge do mau gosto cai no gelo”

    Um ano tristemente triste para TODOS os tristes.

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