Foi você que pediu uma Sky Ferreira?

Entrei na loja decidido. Um Porto Ferreira, perguntei ao balcão. Um Porto Ferreira como presente de Natal para os meus tristes companheiros de escrita e para os leitores que nos têm acompanhado. Juntos brindaríamos – todos à mesma hora, a seguir ao jantar de consoada, assim imaginava eu – ao futuro do blogue, erguendo bem alto o cálice de Porto Ferreira. Mas responderam-me do outro lado do balcão que não, que Porto Ferreira não tinham. Ferreira, só Sky, Sky Ferreira. Não escondendo a minha surpresa, quis saber mais. Disseram-me que era do género feminino e também sabia bem. Um aroma fresco, doce. E, aqui e ali, um travo picante. Não, não era do Porto. A nacionalidade era americana, americana de Los Angeles. Mas, como boa Ferreira que era, lá tinha as suas origens portuguesas, embora já remotas e diluídas por paragens brasileiras. Depois de vinte aninhos de fermentação, começava agora a aparecer no mercado. E tal como o Ferreira do Porto, coleccionava anúncios. Perguntei se podia provar. Que sim, que podia e devia ouvir, ver e sentir o aroma. Tocar é que já era pedir demais.

Decidi-me: venha lá a Sky Ferreira, disse eu. Já que não há cálice de Porto, com a Sky os co-bloggers e os leitores não ficariam mal servidos. Talvez não dê para chegar ao céu. Mas, jovenzinha e prometedora como é, com certeza que dá para brindar ao futuro.

Sobre Diogo Leote

Longe vão os tempos em que me divertia a virar costas a senhoras que não gostavam de Woody Allen. Mas os preconceitos de então ficaram-me. O de preferir as vozes sofridas e os gritos de raiva, ou os sons negros e abafados, ao fogo-de-artifício dos refrões fáceis. O de só admitir happy ends em situações excepcionais, quase sempre em histórias de amor em que ninguém apostaria um cêntimo. O de não procurar encontrar explicação para os desígnios insondáveis da sedução ou para tudo o que não é dito, que é quase tudo, na grande arte. E continuo com esta mania de andar atrás da tristeza. Dizem os psicólogos que isso é um privilégio dos que não a têm no seu código genético. Eu não os desminto. A verdade é que, se não embirrasse tanto com a palavra “feliz”, até a usaria para exprimir o prazer que sinto ao escrever sobre almas abandonadas ou corações destroçados. Ainda bem que escrever é triste.
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4 respostas a Foi você que pediu uma Sky Ferreira?

  1. curioso (aromado) diz:

    esperemos que não tenha só fermentado: seria doçura e álcool em demasia, pecando, por ventura, de falta de estágio em boa madeira 😉 viva o futuro!

    sentir o aroma… ouvir o amor…

    • Diogo Leote diz:

      Caro Curioso, fermentada ou não, a voz da Sky aquece. Para não aquecer demais, convém no entanto fechar os olhos…

  2. nanovp diz:

    Mesmo sem álcool, o que é bom para a dieta…

    • Diogo Leote diz:

      Bernardo, com dieta sim, porque a rapariga parece ser da escola heroin chic look que a Kate Moss celebrizou há uns bons anos…

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