Infanta defunta

berengáriaTenho umas pastas onde guardo imagens. Desarrumadas, como tudo o que intento arrumar e se perde em recantos onde não volto a encontrar nada. Fotogramas a preto e branco, quadros de museus distantes e imagens sem dono, homens bonitos, escritores velhos, sapatos, casacos e uma girândola sem fim de muitas outras coisas. Um bric-a-brac virtual que para aqui vai. Há dias procurei princesas em vestido de noiva, fotografias dos anos 30 ou 40, para um propósito de que já não me lembro. Lá as tinha, sentadas hieráticas de cetim branco com o diadema da família a prender-lhes o véu. Pelo meio apareceu esta imagem de Berengária, uma das filhas mais novas de D. Sancho I, o da Ribeirinha, e de Dulce de Barcelona. Após a morte da mãe, levaram-na para o Mosteiro do Lorvão onde foi educada junto da irmã abadessa. Em 1213, na Páscoa, casou com Valdemar II da Dinamarca. Como seria ir por essa Europa acima, com 19 anos, em 1213? Berengária tem um rosto moderno e uma boinazinha à banda que nem uma estudante de Erasmus. Parece até que a conhecemos.

Sobre Ivone Mendes da Silva

Entre lobos e anjos me habituei a escrever. É talvez por isso que, para além de asas e de uivos, as palavras me tropecem e não encontrem sozinhas o caminho das folhas. Nessas alturas, peço para elas a bênção da tristeza, musa de sopro persistente, que triste me faz e a acolhedoras mesas me senta.
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6 respostas a Infanta defunta

  1. Ivone, a boina é Armani, não é?

  2. Henrique Monteiro diz:

    E a verdade é que eles viajavam e conheciam, peregrinavam. Nós passamos

  3. Maria do Céu Brojo diz:

    Tal qual. E conhecemos e sabemos e reconhecemos.

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