Locus

 

É à beira-morte que melhor

se escreve um poema.

Onde rebentam as ondas

nas praias do Inverno.

Ou em qualquer outro lugar

desde que seja

morada de anjos e de grifos.

 

Onde se escreve um poema

é sempre uma casa alheia

onde, hóspedes, habitamos

a declinação breve das sílabas.

 

Sobre Ivone Mendes da Silva

Entre lobos e anjos me habituei a escrever. É talvez por isso que, para além de asas e de uivos, as palavras me tropecem e não encontrem sozinhas o caminho das folhas. Nessas alturas, peço para elas a bênção da tristeza, musa de sopro persistente, que triste me faz e a acolhedoras mesas me senta.

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8 respostas a Locus

  1. curioso (são tomé) diz:

    tristes, felizes e raros os artistas de tal extrem’arte. careço de provas, que não desta prova. aprovada.

  2. A morte é, aliás, casa alheia…

  3. Rita V diz:

    beira-morte?
    mesmo à beirinha? um poema? a rezar?

  4. nanovp diz:

    A fronteira é ténue entre as moradas da poesia….

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