Nem o fogo

(Para continuar a divina conversa)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nem o fogo
Nem a roda
Nem o arado
Nem a nora
Nem a escrita
Nem a pena e o aparo
Nem a impressão
Nem a edição
Nem a lente
Nem os óculos
Nem os binóculos
Nem os astrolábio
Nem a vela latina
Nem a roda dentada
Nem a máquina a vapor
Nem a penicilina
Nem a vacina
Nem toda a medicina
Nem a lâmpada
Nem o telefone
Nem a telefonia
Nem a televisão
Nem o chip
Nem o computador
Nem a pólvora
Nem o interruptor
Nem o motor a explosão
Nem o avião
Nem sequer o foguetão.
Não. Deus foi a nossa maior invenção

(in Almeidapoetasemassunto)

Sobre Pedro Bidarra

As pessoas vêm sempre de algum sítio. Eu vim dos Olivais-Sul, uma experiência arquitecto-sociológica que visava misturar todas as classes sociais para a elevação das mais baixas e que acabou por nos nivelar a todos pelo mais divertido. Venho também da Faculdade de Psicologia da clássica, Universidade Clássica de Lisboa onde li e estudei Psicologia Social e todas as suas mui práticas teorias. Venho do Instituto Gregoriano de Lisboa onde estudei os segredos da mais matemática, e por isso a mais emocional e intangível de todas as artes, a música. E venho sobretudo de casa: de casa das duas pessoas mais decentes que até hoje encontrei; e de casa dos amigos que me ajudaram a ser quem sou. Estes foram os sítios de onde parti. Como diz o poeta (eu): “Para onde vou não sei/ Mas vim aqui parar/ A este triste lugar.”
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21 respostas a Nem o fogo

  1. Ivone Costa diz:

    Tia, já viu que os rapazes caíram todos para o lado da teologia? Até o Almeida.

  2. fernando canhão diz:

    Depois de termos criado a China, convenhamos. Só com o Divino não nos safávamos.

  3. Panurgo diz:

    E o supositório, para as minorias.

  4. Maria João Freitas diz:

    Talvez O tenhamos inventado para que Ele nos inventasse a nós…

  5. Vasco (da) Gama diz:

    ou talvez Deus nos tenha inventado, para que nos parecesse que O inventámos a Ele

  6. Pedro Almeida Bidarra e no fim é sempre o Verbo. Fizeste uma escada que chega ao céu.

  7. CC diz:

    Os tristes vão encher a sala: http://www.ciclocinemacatolico.com/sobre-nos/
    Bom cinema!
    ~CC~

  8. curioso (de[u]sinventado) diz:

    aqui é usurpação meter Deus como sendo nossa invenção: nossa é muito actual e deus é mais remoto que a origem da vida, do pensamento, da filosofia, da ciência… sendo Deus também fruto duma re-invenção (plágio) que foi sendo ultrapassada por gerações anteriores à nossa à medida que outras invenções iam surgindo no tempo e no espaço da provocação da ‘serpente’.

    o Deus inventado ‘à imagem e semelhança’ do homem de há mais de 2 mil anos está cada vez mais distante de nós, pelas invenções que se foram sucedendo: se também fôssemos capazes de inventar o nosso deus, em tempos de consumismo, de globalização, de neo-liberalismo, de mediatização… como seria ele?

    • Pedro Bidarra diz:

      Claro que antes de O invertarmos monoteista, e depois à imagem do homem, já o tinhamos inventado de muitas outras maneiras e de muitas outras formas como metáforas e alegorias de tudo. E claro que a narrativa Divina começa antes de nós. Senão não era divina e maior que tudo. Ou não era tudo.
      Eu vivo confortável com esta ideia.

  9. Rita V diz:

    Sou completamente fã do Almeida!
    Conseguiu guardar a aspirina para mais tarde.
    😀

  10. nanovp diz:

    Tudo passa, menos a esperança de vir a conhecer Deus…

  11. curioso (orate fratres) diz:

    eu já O conheço: quando acordo. quando adormeço. está depois do fim e antes do começo. não O entendo… mas ‘reconheço’. hesito… tropeço.. 😉
    (e agradeço)

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