O Único Escritor

"Einige Kreise", 1926, Vasily Kandinsky

“Einige Kreise”, 1926, Vasily Kandinsky

A propósito do post “O Que Convence um Homem”, do dottore:

 ao dar o melhor exemplo de como a parábola, a metáfora, a linguagem “literária” de Cristo supera qualquer demonstração filosófica, Borges abre a porta à negação da existência de Cristo pela… argumentação lógica. Através de um raciocínio puramente lógico (muito comum no ateísmo), a linguagem “literária” de Cristo sugere que o Novo Testamento é uma construção “a posteriori”, de múltiplas fontes. Haveria assim três hipóteses:

– Cristo singularmente humano, criador vivo de ficções, escritor maior da história oral.

 – Cristo como profeta filho de Deus, de qualidade literária com inspiração divina.

  – Cristo como “compósito” de ficções, orais e escritas, a partir de um homem com excepcionais qualidades oratórias – um político, na justa medida helénica.

 Em última análise, ou se acredita na iluminação Superior das metáforas de Cristo, ou não se acredita (eu acredito). Trata-se, assim, de Deus como o supremo e verdadeiro escritor. O único.

Sobre Pedro Marta Santos

Queria mesmo era ser o Rui Costa. Ou sonâmbulo profissional. Se não escrever, desapareço – é o que me paga as contas desde 1991 (são 20 anos de carreira, o disco está a sair). Há momentos em que gosto mais de filmes do que de pessoas, o que seria trágico se não fosse cómico – mas passa-me depressa. Também gosto dos olhos da Anna Calvi. E das bifanas do Vítor. Aprecio um brinde: “À confusão dos nossos inimigos”. Não tenho nenhuns, só uma ternura infinita pelo azul das árvores e o amarelo do mar. E peço: digam-me mentiras.
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2 respostas a O Único Escritor

  1. Curioso (ad-vogado) diz:

    Agora, que o maia-mundo está a-cabado, não há evidências de que Cristo tenha sido Escritor. Talvez analfa? Os artistas foram outros, com provas dadas, incluindo tradutores 5*

  2. Pedro, eu também acredito no daimon. Se ele não fala ao ouvido´(em sussurro ou aos gritos) não há escritor para ninguém.

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