Os falsos amigos

For some reason – e comecei o texto com esta frase porque toda a vida quis começar um texto com esta frase – ando a passar do espanhol para o inglês. Uma vez que sou Manuel, como todos os latinos que se prezam, lembrei-me do verdadeiro Manuel, o de Barcelona, que aparecia com John Cleese, o Basil, no Fawlty Towers.

A rábula do “There is too much butter on those trays” é das melhores confusões de falsos amigos jamais  representadas (a benefício da vossa memória deixo-a lá em baixo). Mas há outros falsos amigos verdadeiramente delirantes. Tu mujer és espantosa, terá dito um conhecido tuga que foi Presidente da República, e que nem que me enforquem direi que foi Mário Soares, ao rei de Espanha, desconhecendo que espantosa em espanhol significa horrorosa, para já não falar dos clássicos embarazado (grávido) ou engraçado (neste caso engrassado (engordurado).

Mas o que aqui me traz é a chatice da evidência. Já desisti do default ser defeito, porque isso é feitio. Também não vou, como os franceses, ao ponto de software ser logiciel e hardware ser matériel

Mas, já viram que os crimes em Portugal nem sempre têm evidências claras? Pois é! Já não bastava o calão do economês, para as evidências terem ocupado o lugar das provas.

Parece-me, assim, haver evidências suficientes em como a frase não há evidências de um crime está evidentemente errada.

Sobre Henrique Monteiro

Nunca fui um sedutor, embora amasse algumas mulheres hospitaleiras. Nunca fugi de um combate, mas sempre invejei quem, ao abrir as portas de um saloon, provoca pânico entre os bandidos. Tenho nas veias sangue jacobino, mas odeio revoluções e igualdades uniformizadoras. Sou pacato e desordeiro, anarquista institucional, maestro falhado, cantor romântico e piroso a quem falta tom. Sem nunca me levar a sério - no melhor sentido da palavra, acho que apenas sou um homem bom (e barato).
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10 respostas a Os falsos amigos

  1. curioso (in trigado) diz:

    for some reason cheira a quid pro quo e não se prova nada (nem deixa de provar?) e esta época chuvosa não é pior que a outra (a seca) para provocar constipation (CIC)

  2. Henrique Monteiro diz:

    AH ah ah ah!

  3. Quando comecei a pontapear o espanhol, lembro-me de ter entrado num resturante na Andaluzia e como ninguém atendesse, disparei um “No se puede comer nadie aqui”. Veio logo uma menina a correr.

  4. Sofia Reis Moreira diz:

    You know nothing, dos melhores momentos: http://youtu.be/s6EaoPMANQM

    Como curiosidade: na versão dobrada do Falwlty Towers em catalão o Manuel é Mexicano, não é Espanhol…

  5. curioso (como no) diz:

    e a fugir… 😉 …un presunto canibal?

  6. E os amigos de circunstância? não chegam a ser falsos, mas são uma canseira do piorio: desde que qualquer coisa “vira” outra, nunca mais coisa alguma se transformou, mudou, o diabo a quatro, enfim, no que quer que fosse. `Tou pior que o meu rico arrumador de quando vou à baixa e, imperativo, perante a minha incompetência automobilística em estacionamentos, e mesmo antes de lhe dar a chave para que faça como lhe apetecer: destroce, dona, destroce… Desvira!

  7. Maria do Céu Brojo diz:

    Mas alguma coisa bate certo neste país cuja moléstia é ser mal frequentado?

  8. Curioso (frequentador) diz:

    Nós, se não se excluir… 😉

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