Padrão de Coral

Uns italianos que conheci ontem em Watamu Beach chamam-me Rossi – Come Vasco Rossi il cantante, giusto? – Só mesmo o estafado taxista Queniano que me trouxe aqui a Malindi é que na sua sabedoria centenária me identifica com o outro Português que conhece, aquele que dá o nome ao pilar ali na praia. E agora aqui está ele. Um pilar branco, resplandecente e coroado com um orgulhoso padrão em calcário Lisboeta – sinto o cheiro do Tejo aqui debaixo de onde o observo – e que tenta desesperado agarrar-se a um escolho de coral que, batido pelas ondas, ameaça mandar tudo para o fundo do mar, este mar que o tal Vasco, que não o Rossi, atravessou em 1498, num último esforço, em direcção a Calcutá.

DSC02290 Padrão de Malinde – Malinde, Quénia, Agosto 2012

Sobre Vasco Grilo

Quando era rapazola dei demasiadas cabeçadas com a minha pobre caixa de osso. Hoje, como deliciosa consequência, encontro a minha razão intermitente como uma rede WI-FI, sem fios nem contrato fixo. Por vezes suspeito que a minha alma seja a de um velho tirano sexista e sanguinário, prisioneiro no corpo perfumado e bem-falante de um jovem republicano. Mas talvez eu seja só é um bocado sonso. A cidade para onde me mudei no final do século passado chama-se Aerotrópolis. Daqui partem todas as estradas e para aqui todas elas confluem. Em seu redor e para minha sorte, está um mundo que é grande e ainda muito comestível. Creio que a verdadeira felicidade possa causar uma certa tristeza. E por isso e só por isso, aqui, escreverei.

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2 respostas a Padrão de Coral

  1. Tão simples, tão bonito, tão branco. Até o mar deve ter inveja de uma tão alva cal.

  2. nanovp diz:

    A historia que se re-encontra, ainda vais sentir Vasco que afinal já tinhas ido à Índia anos antes…

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