Preghiere di Piombo

Creio que chegou a hora. Creio que é chegado o tempo da humildade e do divino. Ajoelhemo-nos pois e oremos. Levantemos sem receio os braços aos céus irmãos, que chegou o momento de exorcizar os brutos demónios deste século, século esse que sem que déssemos por isso se tornou finalmente o nosso mas que afinal é, também e de novo, maldito, enevoado e assassino. Eu sei que aqui prostrados com este vento de rajada que nos golpeia de lado a face enquanto perscrutamos o horizonte, nos fica a dúvida se as nuvens de chumbo que o cobrem se movem laminares e cortantes na nossa direcção ou se pelo contrario se começaram já a dissipar em fumo para dar lugar à luz pela qual todos ansiamos. Mas abandonemos a conjectura e olhemos para dentro de nós e façamos por aceitar que deixou de valer a pena apontar o dedo aos fariseus e aos parvenues que por nossa culpa e distracção deixámos pelo reino à solta. Porque estes são tempos alquímicos, não de juízo e de cálculo. Oremos pois irmãos e façamo-lo com força e com intenção e de forma a que as unhas de todas as divindades humanas existentes ou já existidas nos rasguem as costas num arrepio de carne e de sangue que nos acorde e nos dê força. Oremos e façamos com isso despertar o mágico que há dentro de cada um de nós.

Gonjasufi (Sumach) – Yogananda Swami

Sobre Vasco Grilo

Quando era rapazola dei demasiadas cabeçadas com a minha pobre caixa de osso. Hoje, como deliciosa consequência, encontro a minha razão intermitente como uma rede WI-FI, sem fios nem contrato fixo. Por vezes suspeito que a minha alma seja a de um velho tirano sexista e sanguinário, prisioneiro no corpo perfumado e bem-falante de um jovem republicano. Mas talvez eu seja só é um bocado sonso. A cidade para onde me mudei no final do século passado chama-se Aerotrópolis. Daqui partem todas as estradas e para aqui todas elas confluem. Em seu redor e para minha sorte, está um mundo que é grande e ainda muito comestível. Creio que a verdadeira felicidade possa causar uma certa tristeza. E por isso e só por isso, aqui, escreverei.
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4 respostas a Preghiere di Piombo

  1. curioso (mag nânimo) diz:

    sete século ainda não é o nosso: mal começou (e começou mal) e ainda não lhe tomamos o pulso, que sabemos fraco, muito fraco. e é ele que está a fazer-nos sentir que somos nós a ter de o ganhar, para nosso menor mal, pois para bem já basta assim. e sim, que por essa lição que nos está a dar sejamos bons fiéis e reganhemos (a pulso) a magia da vontade esclarecida, firme, perseverante que nos sustente em atitude criativa de salvação pessoal e nacional.

  2. Vasco, gostei muito. Ando com vontade de voltar aos meus tempos zen.

  3. Pedro Bidarra diz:

    Saravá

  4. nanovp diz:

    Acho que esse momento pode chegar a cada dia de forma diferente para cada um, independente do século Vasco…há que estar preparado…

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