Reflexão esquecida

Sei que nasci, mas não me lembro nada de o fazer. Isso prova que muita coisa importante na nossa vida é, para sempre, esquecida. Um dia, numa conservatória do Registo Civil, perguntaram-me se eu tinha a certeza de ter nascido a 1 de Setembro e eu impus-me responder com verdade: não, não tenho! (só sei que o diz no cartão do cidadão)

Sobre Henrique Monteiro

Nunca fui um sedutor, embora amasse algumas mulheres hospitaleiras. Nunca fugi de um combate, mas sempre invejei quem, ao abrir as portas de um saloon, provoca pânico entre os bandidos. Tenho nas veias sangue jacobino, mas odeio revoluções e igualdades uniformizadoras. Sou pacato e desordeiro, anarquista institucional, maestro falhado, cantor romântico e piroso a quem falta tom.
Sem nunca me levar a sério – no melhor sentido da palavra, acho que apenas sou um homem bom
(e barato).

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6 respostas a Reflexão esquecida

  1. curioso (quezi lento) diz:

    há duas coisas, pelo menos, a desmontar:

    – sabemos aquilo que nos dizem, aquilo que lemos, desde que acreditemos

    – o não lembrar não significa ter esquecido

    acresce que nem sempre o que diz no cartão se confirma como verdade e há esquecimentos que são temporários

    assim, isso não prova nada, nem importante, nem sempre

    às vezes é duro (não poder) esquecer 🙁

  2. Henrique, há uma parte qualquer de nós que deve saber e que poderia, categórica, dizer sim. Mas é muda. Não fala, nem por linguagem gestual. Porque será?

  3. FELIZ NATAL PARA TODOS

  4. nanovp diz:

    Certezas poucas, e uma luta para que a vida não escorregue por baixo da porta e seja esquecida, porque aí não há BI que nos acuda…

  5. jarra diz:

    Não me lembro de ter nascido, porque estava desmaiado!
    Jim Morrison

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