Saudação

A minha saudação preferida, mas que nunca tive coragem de fazer, é a do Capitão Rodrigo Cambará: “Buenas e me espalho. Nos pequenos dou de prancha e nos grandes dou de talho”.
Rodrigo, personagem do genial “O Tempo e o Vento” de Érico Veríssimo (o bastante esquecido escritor brasileiro que não ia em modas) era também aquele que interrogava, nas longínquas terras gaúchas do Brasil de 1828: “Hay gobierno?”. Caso lhe dissessem que sim, respondia: “Então, estou contra”.
Tudo isto vem a propósito de uma saudação aos leitores do Escrever é Triste e, sobretudo, aos muito acolhedores parceiros do blogue. Não levem a mal as referências à prancha e ao talho da espada. Direi como Rodrigo Cambará em Santa Fé, quando um homem sacou da naifa em resposta ao cumprimento: “Calma, amigo. Não espero puxar da minha arma pelo menos durante um mês”.
Eu também prometo portar-me bem. Pelo menos, por um mês.

Sobre Henrique Monteiro

Nunca fui um sedutor, embora amasse algumas mulheres hospitaleiras. Nunca fugi de um combate, mas sempre invejei quem, ao abrir as portas de um saloon, provoca pânico entre os bandidos. Tenho nas veias sangue jacobino, mas odeio revoluções e igualdades uniformizadoras. Sou pacato e desordeiro, anarquista institucional, maestro falhado, cantor romântico e piroso a quem falta tom.
Sem nunca me levar a sério – no melhor sentido da palavra, acho que apenas sou um homem bom
(e barato).

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20 respostas a Saudação

  1. Maria do Céu Brojo diz:

    A «casa» dos Tristes está ainda mais composta. Seja bem-vindo. Quanto ao texto uma palavra basta: magnífico.

  2. Bela entrada, Henrique. E seja muito bem-vindo.

  3. Era só mesmo isto que nos faltava, mais um barbudo de naifa na mão e contra os governos. Já vi que o que a Tia quer é comprar barulho: a ver se ela deu um piano a mais alguém.
    Henrique (oitavo?) bem vindo à Tristeza.

    • Caro Mestre. Foram 6 as ‘maridas’ oficiais é verdade mas algumas escaparam! Não estava a pensar livrar a Tia do Tudor pois não?

      • Henrique Monteiro diz:

        O Manuel S Fonseca insinua e pretende que me descaia… Jamais o farei. Há dois tipos de homens, os substitutivos e os acumulativos. Henrique VIII era dos primeiros. A minha mulher lê este blogue…
        (depois digam-me se este tipo de piadolas faz parte da ética blogante).

        • Rita V diz:

          Substitutivo também pode querer dizer irritante que substitui uma inflamação por outra, mais facilmente curável.
          – É tudo relativo!
          Assim espero que quem ‘nus’ lê, não seja sensitivo.
          😀

  4. curioso (l'obser vateur) diz:

    vejam como faala 😉 não é gago 😉

    gostavam de ouvir (tão bem) os outros talentosos Tristes?

  5. Vasco (da) Gama diz:

    a própria tristeza fica mais composta assim

  6. Vim até aqui pelo seu artigo, porque o sigo no facebook, e fiquei maravilhada por conhecer este blogue. Cá estarei! Mesmo que puxe da naifa!

  7. José Guimarães diz:

    Extremamente interessante, o escrito do Henrique e este blogue que não conhecia. Vim cá ter via Fb/HM. Letras (in)felizes!

  8. Ana Paula Lucas diz:

    Ser /estar triste, já por si é uma tremenda tristeza!

    • Henrique Monteiro diz:

      A tristeza tem sempre uma esperança de um dia não ser mais triste (Vinicius de Moraes)

  9. patrícia reis diz:

    Bom! Beijo

  10. Pedro Bidarra diz:

    Que também dizia “tristeza não tem fim, felicidade sim”. Bien venido Rodrigo

  11. E será ainda verdade que tristezas não pagam dívidas?!… Excelente texto.

  12. Panurgo diz:

    Absolutamente lamentável. Enfim, é o que dá um blogue de Tia solteirona. Em vez de mulheres solteiras, traz-me p’ra aqui homens casados. Lamentável, lamentável…

  13. nanovp diz:

    Seja bem vindo, mas guarde lá a arma que aqui nesta tristeza temos a protecção da Tia e não vai precisar dela…

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