O Pastor

Tinha a mania de abraçar as árvores, falava com as plantas e tinha ‘mão verde’. Perdia-se no tempo dos óleos e acrílicos, acreditava em fadas e pintava bosques encantados.

Contou-me um dia que um pastor se tinha sentado a ‘ver-lhe” as telas.

Parado, quieto, o pastor demorou uma eternidade que lhe pareceram segundos. Sobre os azuis, verdes abstractos disse-lhe:

– Vossemecê pintou a minha aldeia!

Sobre Rita Roquette de Vasconcellos

Apertava com molas da roupa, papel grosso ao quadro da bicicleta encarnada. Ouvia-se troc-troc-troc e imaginava-me a guiar uma mobylette a pedais enquanto as molas a passar nos aros não saltassem.
Era feliz a subir às árvores, a brincar aos índios e cowboys e a ler os 5 e os 7 da Enid Blyton.
Cresci a preferir desenhar a construir palavras porque… escrever é triste.

Esta entrada foi publicada em Ficção. ligação permanente.

10 respostas a O Pastor

  1. Uma receita para substituir os estafados bacalhaus e polvos FELIZ NATAL:

    http://www.youtube.com/watch?v=zB8RA0pSjnw

  2. Curioso (branco) diz:

    Nem todos vemos a nossa aldeia, encantada, encantados.
    Ali, os verdes, azuis, ponti ficavam.
    Aos dois dias DDFFDM, a caminho dum Natal menos en cantado, sem contudo deixar de O ser.

  3. Henrique Monteiro diz:

    Eu tenho um aldeia, mas está por pintar. É toda em granito, é cinzenta e brilha, por causa da mica nas pedras. Com a neve o contraste é belo. Mas quase ninguém pinta essas aldeias da Beira, os pintores preferem as brancas do Alentejo ou da zona saloia, ou as mais coloridas do Minho.

  4. nanovp diz:

    Um pintor é muitas vezes um pastor de almas….

Os comentários estão fechados.