Soraia sorria #13

A-dos-Cunhados. Nunca um inglês pensou que fosse o melhor sitio para descansar.

Depois da Soraia lhe ter servido uma Água das Pedras no Lincoln, Zarco questionou o que realmente “faz sentido”. Esta questão que ás vezes, quase nunca, assombra a mente de qualquer homem.

Soraia era uma “A-Cunhadense” que levantava algumas questões sempre que passava. Ou em certos casos, como o caso de Zarco, era a solução para muitas dúvidas.

Zarco, descansou o seu olhar como já há muito não acontecia. Aqueles olhos pretos eram assim sem pensar muito, o único sitio onde queria estar. Ficar. Sem pensar em mais enigmas, fugas e muito menos numa Europa complicada.

Soraia sorria e isso era inquietante. Sorria enquanto falava. Zarco também não se lembrava da ultima vez que tinha visto tal fenómeno.

Com a desculpa dos relatórios e chaves indecifráveis, Zarco disse a Joe que ficaria mais uns tempo em A-dos-Cunhados e que teriam de adiar a acção de Capri para o inicio do ano.

Joe – E o que faço até lá?

Zarco- Creio que o manifesto do Breton, tem mensagens escondidas que podem ser-nos úteis. Analisa-o e traz-me respostas. Pode ter mais uma chave.

Joe: Mas de onde vem essa ideia?

Zarco: Faz o que te digo.

E saiu deixando Joe boquiaberto. Seguiu Soraia que sorria atrás dos seus cabelos encaracolados, passeando Brigitte pelo passeio que as levava á praia.

Soraia: Brigitte, aí não.

E repreendendo a cadelinha virou-se de repente quase esbarrando em Zarco.

Zarco ficou mais espantado do que nunca quando viu

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48

19

776

28 37 49 335 estampado na sua camisola.

Soraia sorria. Como sempre.

 

Sobre Sandra Barata Belo

Nasci em Lisboa no final da década de 70. Cresci em Alfama e nas férias, que não são grandes, vou sempre para o Alentejo. Sou filha única, aprendi a brincar sozinha. Gosto que me contem histórias mas também gosto de as contar. A palidez da realidade pode pôr-me sem cor, por isso nada melhor que uma boa gargalhada. Gosto de coisas simples, de pessoas generosas, gosto de arte. interpretei a grande Amália no cinema. Seguiram-se as novelas da SIC. Isso faz com que as pessoas me reconheçam na rua. Estudei no Chapitô onde aprendi todas as bases do que sei fazer hoje. Já fiz muitas coisas, dancei, fui trapezista, malabarista e clown (fica sempre melhor em inglês). Produzo, dirijo e levo a palco livros e autores que admiro. Continuo a querer fazer muitas coisas diferentes. Sou curiosa e não quero deixar de o ser.
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8 respostas a Soraia sorria #13

  1. Henrique Monteiro diz:

    Bem, pus A-dos-Cunhados no mapa do cadavre. Só isso é um motivo de orgulho para mim – A-dos-Cunhados, uma terra claramente assim-assim…

  2. curioso (perto covo) diz:

    e será que Soraia, como sempre sorrindo, agarrada à Brigitte para disfarçar, está enleada na trama e aponta na camisola o destino final (próximo?) da operação em terras do Vizir? Curioso…

  3. Alguém tem de tirar, assim de repente, e mesmo em A-dos-Cunhados, a camisola a Soraia.

  4. Maria do Céu Brojo diz:

    A-dos-Cunhados não esqueço. Próxima doutro lugar que amo, foi-me impossível desligar o texto do sentimento.

  5. nanovp diz:

    Que maldade, mandar Joe ler o Bretton enquanto que vai para a praia coma Bardot e a Soraia….

    • Curioso (enternecido) diz:

      Pobre Brigitte a ser comida da fúria do Ber(n)ardo tão enraivecido com o rafeiro do Breton 😉 ainda acaba nas malhas da protetora.

  6. Eh pah mocita, não te conhecia. Sinceramente fiquei deveras impressionado com a alegria e a vivacidade com que ‘imprimiste’ a entrevista que acabei de visualizar na SIC (canal pouco visto cá em casa). Apenas transmitir-te que não receies a morte, pareceu-me que isso te incomoda bastante, deixa fluir… aproveita e vive os laivos de felicidade que a vida nos proporciona.

    Gostei quando abordaste a questão do supérfluo em relação a homens e mulheres bonitas. Tenho até uma tese em que as pessoas feias ou menos belas nunca são alvo de preconceitos. Não há cá: “Ah, é bonita mas é burra! “Não, nada disso! Quando se olha para uma pessoa feia pensa-se: “Ok! A partir de agora isto só pode melhorar! 🙂

    PS1 – Sou de Lisboa e também tenho costela alentejana, minha ‘cara-metade’ é Odemirense.
    PS2 – Curioso, este ser o (teu!) post #13. Possuo igualmente 13 blog’s actualizados (o que não é facil)

  7. Mário diz:

    Não conhecia a obra, o “Morreste-me”, vi a Sandra na televisão…podia ir ver a peça, mas não me apetece chorar em público…se calhar vou comprar o livro, mas de cada vez que repito o título começo a chorar…preciso urgentemente de respirar…porque é que é tão difícil? “Seja triste, comente”, é mesmo aqui a minha paragem

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