Starry night over the Rhone

Van Gogh – Starry Night Over the Rhone

Van Gogh – Starry Night Over the Rhone

 

Van Gogh – Les Arènes

Van Gogh – Les Arènes

Sobre Maria do Céu Brojo

No tempo das amoras rubras amadurecidas pelo estio, no granito sombreado pelos pinheiros, nuas de flores as giestas, sentada numa penedia, a miúda, em férias, lia. Alegre pelo silêncio e liberdade.
No regresso ao abrigo vetusto, tristemente escrevia ou desenhava. Da alma, desbravava as janelas. Algumas faziam-se rogadas ao abrir dos pinchos; essas perseguia. Porque a intrigavam, desistir era verbo que não conjugava. Um toque, outro e muitos no crescer talvez oleassem dobradiças, os pinchos e, mais cedo do que tarde, delas fantasiava as escâncaras onde se debruçaria.
Já mulher, das janelas ainda algumas restam com tranca obstinada. E, tristemente, escreve. E desenha e pinta. Nas teclas e nas telas, o óleo do tempo e dos pinceis debita cores improváveis sem que a mulher conjugue o verbo desistir. Respira o colorido das giestas, o aroma dos pinheiros nas letras desenhadas no branco, saboreia amoras colhidas nos silvedos, ilumina-a o brilho da mica encastoada no granito das penedias.

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14 respostas a Starry night over the Rhone

  1. António Barreto* diz:

    Isto é bonito! Um tema empolgante de Don Mclean.

    (Com sua licença publicarei na minha página do face)

  2. Maria do Céu Brojo diz:

    Tenho gosto nisso. Tudo de muito bom em 2013.

  3. hmbcm1956 diz:

    Bom Ano. Esse céu estrelado corresponde a um dia preciso, segundo os astrónomos estabeleceram. Ou seja, o céu esteve assim, como Van Gogh o retrata. Isso para mim foi das maiores surpresas que tive com a sua pintura

    • Maria do Céu Brojo diz:

      Muito grata pela informação chegada. Agora, sim, leio doutro modo, este Vincent. Quanta diferença, deuses, entre o sabido e o que aprendi!

  4. Maria do Céu Brojo diz:

    Não sabia. Sou uma inculta, está visto. Ainda bem que Triste para aprender consigo e com todos. Obrigada.

  5. Ivone Costa diz:

    belos desejos, Maria. Um bom ano para si.

  6. filipe diz:

    Este post é magnifico, mas não deviam escrever em cima dos Gogh’s. A música do McLean é linda. Quando era miúdo ouvia o “American Pie” e não descansei enquanto, com os primeiros ordenados, não comprei aquele disco de one hit song. A paixão daquela longa música passou-me, como breve passam todas as paixões, quando descobri outras pérolas no meio do album, “winterhood” torna qualquer momento aconchegante, e — como anos mais tarde “esquadros”, de Adriana Calcanhotto, levou-me a descobrir Frido Khalo e o “Livro das Horas” — Vicent, porque tocante, fez-me ir descobrir Van Gogh. E agora lembra -me meu pai. Não que ele apreciasse pintura ou conhecesse música pop, por vezes dizia que apenas gostava de grandes orquestras de jazz, Glen Miller por certo. Mas esta música faz recordá-lo por causa do verso “This world was never meant for one As beautiful as you.” E de facto, às vésperas de 2013, galinha como era com os filhos, angustiado como ficava com as notícias e o futuro do País, é um alívio julgá-lo num sítio mais tranquilo, quem sabe, mais justo. Bom ano para todos. E que de triste se faça alegre.

  7. Céu
    Toda uma ‘calote’ para si de Bom Ano, alegrias e muita muita saúde.
    bjinhos

    • Maria do Céu Brojo diz:

      Recebo, com gosto imenso, a ‘calote’. Fora a calote homógrafa e ficaria preocupada. Que saiba, calotes não tenho. Minto – esqueci o pagamento da última mensalidade do condomínio. Feliz pelo comentário e pelo lembrado.

      Aceita «jokas»?. Brinco, claro. Beijinho repenicado à moda das idosas da Beira Alta, exceptuando os fluidos que deixam na face.

  8. nanovp diz:

    Belo céu, grande homenagem do Mclean, por tudo isto vai valendo a pena avançar…

  9. Maria do Céu Brojo diz:

    E agora, os melhores do ano finado, mais tenho que evoluir.
    Obrigada.

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