Tristeza e lamechice (breve estudo)

Eu tenho uma pergunta tão profunda que toda a vida hesitei fazê-la. É esta: onde é o limite entre tristeza e lamechice?

Pois bem, encontrei um exemplo fantástico, com o Estudo Op.10 nº3 em Mi, de Frederic Chopin, justamente conhecido por ‘Tristesse’. E aqui deixo a tristeza do estudo e depois a lamechice do estudo cantado (e ia dizer tocado, mas a palavra é executado no seu sentido goyesco mais profundo).

Eis o estudo pelo grande Maurizio Pollini (não tem animação, concentrem-se na música, vá lá). A tristeza e o desespero que a tristeza contém, e a esperança que contém a tristeza…

E agora a lamechice, com a mesma melodia, transformada de tristeza em patetice, e com o título Autumn in my Heart (muito original).

Pronto! Está tudo explicado!

Sobre Henrique Monteiro

Nunca fui um sedutor, embora amasse algumas mulheres hospitaleiras. Nunca fugi de um combate, mas sempre invejei quem, ao abrir as portas de um saloon, provoca pânico entre os bandidos. Tenho nas veias sangue jacobino, mas odeio revoluções e igualdades uniformizadoras. Sou pacato e desordeiro, anarquista institucional, maestro falhado, cantor romântico e piroso a quem falta tom. Sem nunca me levar a sério - no melhor sentido da palavra, acho que apenas sou um homem bom (e barato).
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6 respostas a Tristeza e lamechice (breve estudo)

  1. anabrav diz:

    Olhe que a versão cantada oriental não está muito mal – tem a vantagem de ser de mais fácil divulgação entre os jovens – uma espécie de fast food musical para as massas..Ah, Ah

  2. Paulo Gomes da Silva diz:

    Caro Henrique Monteiro,

    Compreendo plenamente o seu ponto. É notório e inquestionável.

    O estudo em causa é estupendo. Transmite-me, no entanto, mais revolta e esperança do que tristeza. A tristeza está lá, sem dúvida, mas é uma tristeza serena, diria mesmo bonita.

    Cumprimentos de um seu leitor que, infelizmente e sem qualquer lamechice, não pode ser seu amigo, nem sequer no Facebook.

    Paulo Gomes da Silva

  3. Pedro Bidarra diz:

    lamecha, lamecha é o filme. É o filme que estraga a versão hollywoodesca (que, na verdade é um pouco mais lamecha que o original). mas imagina-a como banda sonora de um ajuste de contas, num episódio dos Sopranos. Já não é tão lamecha.

  4. Manuel S. Fonseca diz:

    Bem explicado. Eu passo o tempo a perdoar-me o gosto pela lamechice com a desculpa de que me faz perceber melhor (e me prepara) para gostar da Tristeza. Aliás, não se aguenta viver só com o acúmen da tristeza.

  5. nanovp diz:

    A lamechice tem mais a ver com um certo mau gosto que às vezes nos liberta da tristeza, mas só por uns momentos.

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